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Apocalíptica judaica ou Apocalipsismo judaico foi um movimento dentro do judaísmo pós-exílico que se estendeu por todo o período do Segundo Templo, entre o retorno dos judeus do exílio babilônico (539 a.C.) até sua expulsão da Palestina por Adriano (135 d.C.). Destacadamente, durante a revolta dos Macabeus (167-164 a.C.), e depois durante a guerra judaica contra Roma (66-70 d.C.), tem-se o período de maior produção de obras marcadamente apocalípticas e outras que, apesar de não serem apocalípticas, têm muitos elementos e idéias que podem ser classificadas como pertencentes ao apocalipsismo judaico. Portanto, pode-se dizer que o fenômeno apocalíptico dentro do judaísmo ocupa quase três séculos.

Os termos “apocalíptica” e “apocalipsismo” derivam da palavra grega απōκάλυψις, que significa, literalmente, “tirar o véu” ou “descobrir”. O uso deste termo para designar obras apocalípticas tem origem no “Apocalipse de João”, que descreve o conteúdo do livro que contêm idéias e motivos revelatórios, simbólicos e escatológicos. Um apocalipse, na terminologia da literatura judaica e cristã primitiva, portanto, é uma revelação de coisas ocultas dada por Deus a um profeta escolhido. Revelação de mistérios, coisas que estão além do conhecimento humano ordinário, compreensão de matérias ocultas por meio de visões ou sonhos nas quais um anjo ou um ser celeste são mediadores da revelação.Desde o segundo século foi aplicado a um número de livros, judaicos e cristãos, que têm as mesmas características que o Apocalipse de João.

A maior parte da literatura apocalíptica judaica foi composta entre o segundo século antes da era comum e o segundo século da era comum e representa, em larga escala, os Apócrifos e Pseudepígrafos do AT. Essas obras contêm descrições dos mistérios dos céus, segredos do governo do mundo, as funções dos anjos e dos espíritos maus, detalhes do fim do mundo, entre outros.

A literatura apocalíptica apresenta-se, muitas vezes, em forma de profecia ou de sabedoria, como em obras precedentes. Contudo, seu aspecto distintivo é um tipo de conhecimento baseado na revelação. Revelação dada a um herói ancestral (Daniel, Enoque, Doze Patriarcas) mediada por um ser celeste, em geral, por meio de uma visão ou uma audição, com uma viagem celeste, cujo conteúdo, via de regra, inclui uma visão do curso da história, os segredos celestes revelados, informações sobre o juízo final, o julgamento, etc.

Os principais elementos recorrentes na literatura apocalíptica podem ser encontrados em escritos dos profetas, como por exemplo, as visões, não apenas a forma mas o conteúdos/motivos das mesmas (simbolismo). Zacarias (anjo explica a visão) e Ezequiel. Escatologia pode ser traçada a partir da profecia hebraica, onde os profetas projetaram o conflito dentro do futuro usando a mitologia que evoca o julgamento de Deus, entre as nações gentias e o próprio Israel. “O dia do Senhor” (Amós 5,18-20); (Is 13,9-13). Assim, a noção do fim deste mundo tem sido originária dentro da imagem cósmica dos profetas em seus oráculos de destruição de lugares específicos, incluindo Jerusalém.

No período seguinte ao exílio babilônico encontramo-nos com o surgimento do imaginário cósmico nos oráculos proféticos (Is 24-27). Nele encontramos linguagem de ressurreição (27,1) ou restauração da nação israelita (26,14). A linguagem acerca da ressurreição já foi usada na metáfora de restauração de Israel em Ezequiel 37. Todas essas passagens foram provavelmente compostas em tempos de crise. Só a partir do período imediatamente posterior ao exílio emerge as expectativas escatológicas que o período bíblico posterior situa em contextos sócio-históricos concretos.

Os escritos apocalípticos têm certas características em comum. Os escritores geralmente reivindicam que a revelação divina tem sido dada por meio de um intermediário angélico. O propósito secreto de Deus foi revelado através de uma visão ou de um sonho celestial. Quase todos os apocalipses são pseudonímicos, isto é, os escritores de obras apocalípticas normalmente escrevem em nome de algum herói da história de Israel.

O papel mais importante dos apocalipses foi explicar porque os justos sofrem e mostrar um período no qual Deus vai intervir para julgar o mundo e estabelecer seu reino.

Os apocalipses judaicos do período do segundo templo fornecem a estrutura de pensamento e motivos para os escritores do Novo Testamento, particularmente o contraste entre o céu e a terra e a crença acerca dos anjos usadas pelos escritores do livro de Hebreus, Efésios e 1 Pedro.

As principais obras apocalípticas ou de caráter apocalíptico são: Daniel, 1 Enoque; Apocalipse de Abraão, Testamento de Levi, Baruque Grego, Ascensão de Isaías, Apocalipse de Isaías (Isaías 24-27)

Destaque especial deve ser dado ao livro de Daniel.

O livro de Daniel, como se encontra na Bíblia Hebraica, é composto de 12 capítulos, não contendo, portanto, os acréscimos ("Oração de Azarias" e o "Cântico dos três varões" na fornalha, que compreendem o cap. 3.24-90; "Susana" (cap. 13) e "Bel e o Dragão" (cap.14). que aparecem na LXX, a versão grega do Antigo Testamento.

a) há a alternância hebraico-aramaico-hebraico: esta variação de idiomas no livro de Daniel, ou seja, o hebraico (caps. 1.1-2.4a; 8.1-12.13) e o aramaico (caps. 2.4b-7.28), foi vista como um enigma aparentemente insolúvel, que recebeu as mais diversas respostas na pesquisa. As três principais soluções propostas para o uso das duas línguas da seguinte maneira: (a) Os capítulos aramaicos, 2-7, foram originariamente um corpus distinto. (b) O livro inteiro foi escrito originariamente em aramaico e os capítulos em hebraico são uma tradução. (c) As histórias no caps. 1-6 foram originariamente escritas em aramaico. Então o cap. 7 foi composto em aramaico, talvez porque foi modelado até certo ponto com base em Daniel 2. As outras visões apocalípticas, que foram menos relacionadas a Daniel 2, foram escritas em hebraico . Finalmente, o capítulo inicial foi traduzido para o hebraico para prover uma simetria entre o início e o fim.
Portanto, a alternância entre o hebraico e o aramaico se deve, de fato, a um processo redacional no qual as duas línguas foram usadas para compô-lo.

b) O livro de Daniel deve ser datado no período dos Macabeus. A favor dessa data mais tardia para a composição de Daniel podem ser alistados os seguintes e mais importantes argumentos: Primeiro, o conhecimento do autor sobre o segundo século a.C. é bem mais preciso e detalhado do que o conhecimento que ele tem do período babilônico e persa, o que transparece nas imprecisões históricas nos dados sobre esses dois impérios e na riqueza de detalhes nos trechos que tratam do período grego. Segundo, as visões dos caps. 8-12 têm como elemento central a figura de Antíoco IV, o que demonstra que a preocupação central do autor é com a carreira desse monarca, que viveu no segundo século a.C. Terceiro, o empréstimo de palavras estrangeiras, sobretudo de três termos gregos que designam instrumentos musicais em Daniel 3:5, vocábulos esses que dificilmente poderiam ser de época anterior à conquista de Alexandre Magno.

Levando em conta que livro conhece, entre outras coisas, a carreira de Antíoco IV em ricos detalhes (11.21-39): a prescrição contra a prática do judaísmo (11.28-30), a profanação do templo (11.31), e a perseguição implacável contra setores do judaísmo (11.33-34), contudo, desconhece dois acontecimentos importantes: a morte de Antíoco IV em Abril de 163 a.C. - a referência feita a esse fato no texto não coincide com a realidade histórica - e a rededicação do templo, em Dezembro de 164 a.C., à qual nenhuma referência é feita, é possível datar Daniel não antes do ano 167 a.C. e não depois de 164 a.C.

c) A estrutura literária de Daniel pode ser feita com base no aspecto formal: O primeiro bloco (caps. 2-6) é composto de "histórias da corte". O segundo bloco é composto de "visões", que aparecem nos capítulos 7-12. O capítulo 1 funciona como introdução tanto às histórias quanto ao livro todo. O capítulo 7 é uma espécie de "dobradiça" entre as duas partes do livro, pois é, simultaneamente, parte do primeiro bloco, por causa do aramaico e do tema, e introdução ao segundo bloco por causa da forma e do conteúdo.

d) O gênero literário do todo do livro de Daniel é apocalíptico: Em seu todo é classificado como "apocalíptico". Ainda que um número de pesquisadores tem negado que as histórias de Daniel 1-6 possam ser propriamente classificadas como apocalípticas. Elas têm sido classificadas, antes, como histórias da corte, romances populares, legendas de mártires, aretalogias, estórias paradigmáticas ou sabedoria dramatizada ou pertencentes ao gênero hagádico.

Porém, tem sido notado que o gênero apocalíptico é um compósito de diversos sub-gêneros recorrentes da literatura apocalíptica como: comunicação de visão, vaticinia ex eventu, parêneses, gêneros litúrgicos (bênçãos, lamento, hinos, e orações), sabedoria natural, estórias, fábulas, alegorias, diálogos, enigmas, mashal ou parábola, interpretação de profecia ou pesharim e previsões escatológicas. Assim, tomado como um todo, Daniel é um apocalipse ..., sendo que Apocalipse é um macrogênero que provê uma moldura contendo várias formas menores juntas.

Quanto às "visões" dos caps. 7-12 há uma opinião concorde em classificá-las como apocalípticas.

Bibliografia

Apocalipsismo. São Leopoldo, Editora Sinodal, 1983.
COLLINS, J.J. Daniel with an Introduction to Apocalyptic Literature. Grand Rapids, WB. Eerdmans, 1984. (The Forms of the Old Testament Literature, XX)
HANSON, P.D. Apocalyptic Literature. In: A.Knight & G.M.Tucker (Eds.), The Hebrew Bible and Its Modern Interpreters, Philadelphia/Decatur, Fortress Press/Scholars Press, 1986. pp.465-488
RAMIREZ, Dagoberto F. Apocalíptica. 2ª edición, Santiago, Comunidad Teologica Evangelica de Chile, 1987.
ROWLEY, H.H. A Importância da Literatura Apocalíptica. São Paulo, Ed. Paulinas, 1980
WIT, Hans de. Libro de Daniel - un relectura desde America Latina. Santiago, Ed. Rehue, 1990.

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