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Sobre Josué: personalidade, vocação e temperamento

Josué (heb. Yehoshua ou Yeshua) é um nome carregado de significado. Nome que significa a salvação do nosso Deus. Deus que tirou poucos escravos da margem do país do Egito e os transformou em um grande povo. Este é o significado do nome “o Senhor salva”. E seu nome, como de resto todos os nomes no Antigo Testamento, já indica uma vocação, uma quase escolha para uma missão entre o povo de Deus.

É bastante fácil e correto supor que ele estava entre aquela parcela de escravos que subiu do Egito por ocasião do Êxodo. E pela longa, árida e difícil travessia pelo deserto ele figura, junto a Calebe, como os dois únicos que, daquela leva, entrariam na Terra Prometida.

A menção a Josué no livro de Números (13.16) nos dá conta que seu pai, Num, da tribo de Efraim, o chamou de Oséias (salvação) no nascimento, mas que Moisés mudou o nome dele para Josué, quando o enviou junto a outros para espiar a terra. Devemos notar que a mudança de nome, na tradição dos hebreus, acarreta uma mudança na vida de quem teve o nome mudado.

Neste caso, o novo nome do auxiliar de Moisés (Então Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus homens escolhidos… Números 11.28) veio a ser quase como um mote de guerra nos lábios dos hebreus quando, após a morte do grande legislador, para conquistarem a terra, Josué conduziu os israelitas em violentos embates contra os povos alojados na Terra Prometida.

Pessoa sujeita aos estados emocionais como todos nós, em Josué se nota, entre outras emoções, o ciúme (Números 11.29); medo (Josué 1.9). É justo pressupor, também, que um homem afeito a grandes batalhas tenha experimentado sentimentos de ira, raiva, crueldade e todo o espectro de estados emocionais tão próprios do ambiente de guerra, sobre os quais nem mesmo podemos nomeá-lo tanto mais dimensioná-los.

O dia em que o Sol e lua pararam


Entre todas as batalhas lutadas por Josué, uma ficou marcada por um fenômeno, no mínimo, intrigante: o dia em que o sol parou! (Josué 10.12 a 15).

Muito se tem discutido sobre esse fatídico dia para os inimigos dos filhos de Israel e as respostas formam um arco de opiniões tão díspares entre si, variando do total ceticismo que de fato isso tenha acontecido até a crença literal de que o episódio realmente ocorreu, que é impossível descrevê-las aqui.

Por isso, muita calma nessa hora, pois ela nos permite notar o seguinte: Não só o sol parou, mas também a lua. Lua e sol visíveis ao mesmo tempo? Qualquer explicação sob nosso ponto de vista científico, de saída, torna a narrativa nula na sua tentativa de descrição precisa do que ocorreu. Isso por que não apenas a cosmovisão era diferente como também era diferente a compreensão dos fenômenos naturais. É preciso acrescentar a essa já candente discussão, a concepção de narrativa épica desse gênero literário ao qual pertence o livro de Josué. E ainda mais, que o texto demanda um ato de fé antes do que compreensão.

Tendo essas ponderações em mente, é necessário esclarecer que para a geração de Josué a Terra era um disco plano que tinha os luminares e grandes reservatórios de água acima e o Sheol (morada dos mortos) e as águas abissais abaixo. Eles não tinham a noção heliocêntrica ou geocêntrica dos séculos muito posteriores. Portanto, dizer nesse contexto que o sol e a lua pararam é algo muito diferente do que alguns propagam como impossibilidade ou embuste científico. Erram os que atribuem ao texto uma mentalidade moderna.

A compreensão dos fenômenos naturais pelos da “geração TT” (Tomada da Terra) era mecânica e sobrenatural, isto é, qualquer acontecimento extraordinário natural como por exemplo: terremotos, chuva de granizo, vendaval, tempestade de relâmpagos e trovões etc, era mecanicamente atribuído às força divinas que dirigiam o universo com concebido na época. Assim, um acontecimento que fugia à normalidade costumeira era de imediato posto na conta dos deuses.

Entender o gênero literário sob o qual foi redigido o livro de Josué é um grande auxílio no entendimento das narrativas ali registradas. Chamamos o gênero literário do livro de “narrativa épica”, pelo menos a maior parte do livro pode ser assim designada. Nesse tipo de literatura os elementos de exaltação do herói e seus feitos grandiosos são assinalados com cores fortes e emoldurados por acontecimentos naturais extraordinários, que valorizam a superioridade do herói em relação aos seus inimigos e futuros leitores.

Por se tratar de um texto sagrado, tanto para judeus quanto para cristãos, o livro de Josué, como de resto todo o Antigo Testamento, exige uma atitude de fé, sem a qual, afirma-se em geral, não é possível “compreender” o texto bíblico. Isso tem implicações notáveis para uma aproximação das narrativas, pois implica em um ponto de vista totalmente diverso da simples análise literária, histórica ou científica, privilegiando, assim, uma apropriação do texto em âmbito individual e intimista. Basta crer para que o texto ganhe realidade histórica incontestável!

Os elementos acima alistados não permitem uma conclusão sobre a narrativa de Josué 10.12-13. Por isso, quero acrescentar uma opinião de base linguística, que não resolver o impasse criado pela impossibilidade de o sol e a lua pararem, mas vai, com certeza, lançar um pouco mais de luz sobre o texto.

Creio, como outros, que a chave para elucidar o impasse criado em nossas cabeças modernas passa, necessariamente, pela tradução do verbo “parar” ou “deter-se”. Apesar de o verbo ter diversos significados, na verdade, o primeiro e mais importante deles é “ficar em silêncio” ou “cessar”. Uma tradução alternativa ficaria assim: “O sol ficou em silêncio em Gibeon e a lua cessou em Aijalom.”. Vertendo assim o texto a perspectiva que se abre é de que os cultos ao sol em Gibeon e à lua em Aijalom, como atestados para o período, foram “silenciados” ou “cessaram”. Isso implicaria, com certeza, na destruição das forças sobrenaturais que sustentavam os inimigos dos israelitas nas batalhas, permitindo, dessa forma, a vitória dos segundos sobre os primeiros e, consequentemente, do Deus de Israel sobre os deuses dos povos a quem a terra pertencia por direito.

A intimidade de Josué com Deus

A intimidade que qualquer pessoa com Deus é sempre um sinal visível da presença do Senhor no mundo e na vida das pessoas, sobretudo quando ela revela nossas limitações e dependência do Soberano.

Ilustro com os versículos iniciais do livro, que dão curso à palavra de Deus a Josué nos seguintes termos: “Tão somente sê forte e corajoso para teres o cuidado de fazer tudo segundo a lei que meu servo Moisés te ordenou...” (Josué 1.7). Pelo visto, a força e a coragem exigidas de Josué são para fazer as coisas segundo os ditames da lei deuteronomística, que podem ser resumidos na expressão de Miquéias 6.8 “… que pratiques a justiça, ames a misericórdia e ande humildemente com o teu Deus.”. Intimidade com o Senhor, implica, necessariamente, em uma vida de relações e relacionamentos justos e misericordiosos, pois isso é o sinal de que estamos andando com Deus ou Ele conosco.

A fé pode “parar o sol e a lua”?

A fé remove as montanhas da incredulidade do nosso coração. Metáforas como “mover montanhas”, entre outras, servem ao propósito primeiro de demover de nossos olhos humanos e carnais a película leitosa que obstrui nossa visão para além das possibilidades e esforços humanos. Ninguém transportará, por sua fé, uma montanha para o coração dos mares. Contudo, qualquer que tenha fé como um grão de mostarda ainda que seja capaz de pouca coisa, será abençoado por crer que o Senhor tudo pode em seus infinitos e benditos desígnios. Isso por si só já nos bastará para nutrir o amor, a fé e a esperança.

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Veja o artigo da Revista Visão que referencia este meu texto: O dia em que sol e lua pararam.

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