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Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia. (Daniel 1.8)

Suspeito que essa recusa de Daniel em não se contaminar vá muito além de interditos de pureza ritual. Proponho que essa firme decisão de Daniel seja uma recusa de não participar dos banquetes decisórios, quando, embriagados pelo poder e pelo vinho, os conselheiros e sábios recomendam ao rei que decrete e pratique injustiças, perverta o direito, mate inocentes etc.

Vale lembrar o fato de que Belsazar banqueteia-se com os utensílios que foram pilhados do templo dos cativos (Daniel 5.2,23). Em torno da sua mesa estão os seus ministros de estado, conselheiros, sábios, concubinas e demais frequentadores do palácio. E, diga-se de forma clara, que é nesses jantares que eles tramam e deliberam contra a vida de Daniel e seus amigos.

Penso que, mesmo Daniel frequentando a escola de diplomatas do reino, nem de longe ele quer dar a entender ao rei que fará tudo quanto o soberano ordenar. Não, de jeito nenhum! Há um limite estabelecido e bastante claro, sinalizado pela recusa de Daniel, de que ele não manterá "comunhão de mesa" com pessoas ardilosas, nem agirá como as tais.

Por isso, no meu entender, a intransigente recusa de Daniel em não se contaminar deve ser aquilatada para muito além da questão da pureza ritual, ainda que este seja o primeiro sentido manifesto no texto. A julgar pelo restante do livro, podemos sustentar a ideia de que Daniel não irá partilhar dos conchavos e armações que se desenrolam nos banquetes e jantares palacianos.

 

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