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Esta reflexão sobre o apóstolo Pedro no Evangelho de Mateus pode ser intitulada: Eu e meu amigo Pedro em dez estações em Mateus. Isso porque eu continuo a minha jornada pelo primeiro Evangelho. E nele vou descobrindo muitas coisas fascinantes.

Pedro em Mateus - Dr. Cristofani

Primeira estação: Disposição (Mateus 4.18-20)

Passeio por Mateus, o Evangelho, e chego à beira do Lago de Genesaré, o tal do Mar da Galileia. Aqui encontro dois irmãos, dois pescadores. Um deles de nome Simão. Simão tem como apelido Pedro. E ficamos de conversa por alguns minutos.

Falávamos da vida cotidiana, quando se aproximou Jesus, o Nazareno. O Mestre dos Mestres chama os dois irmãos para segui-lo. Imediatamente, Pedro e seu irmão largam o que estão fazendo e partem com Jesus.

Antes que se afastem, recebo um convite de Simão, o pescador: Quer nos acompanhar nesta jornada? Quer ver como Jesus vai me transformar em um pescador de homens? Claro, vamos lá! Respondo eu não sem certa excitação.

E lá vou eu com Pedro em nossa viagem através do Evangelho de Mateus. Mal me junto a Pedro e já estou aprendendo com ele. Sua disposição em seguir Jesus é impressionante. Disposição tenaz e decidida. É o que se requer de um discípulo: disposição. E meu amigo Pedro a esbanja de forma contagiante.

Segunda estação: Recepção (Mateus 8.14-15)

Na casa de Simão, sua sogra está de cama. A febre a impede dos afazeres domésticos. E Pedro sabe que nosso Mestre pode curá-la. Mas reina o silêncio. Nada é dito. Nenhum pedido. Nenhuma súplica. Apenas um gesto. Jesus a toma pela mão e a febre a deixa. Milagre simples. E ela passa a servi-los.

Simão Pedro abre sua casa para o Nazareno. Acolhe o Mestre em sua casa. Abre-se para um relacionamento próximo, diário, transformador. Ele e sua casa servem ao Senhor. Pedro e sua recepção a Jesus.

Terceira estação: Prontidão (Mateus 10.1-42)

Caminhando com Pedro, chegamos ao chamado de trabalhadores para a seara. E Simão se prontifica a ser um deles. Seu nome figura em primeiro lugar na lista dos doze. E Jesus os envia em missão.

Pedro vai e eu vou junto. A tarefa é pregar que o Reino dos Céus está próximo. Também é para curar enfermos. Há orientações bem específicas sobre os desafios da missão. O rumo a seguir. Os cuidados a tomar. Os perigos a enfrentar. O preço a pagar. As atitudes a tomar. E a certeza do cuidado paternal de Deus, o Pai que não os abandona à própria sorte.

Simão, por sobrenome Barjonas, se dispõe a ser um dos trabalhadores na seara do Senhor. Ele responde ao chamado do Mestre com prontidão. Dispõe-se sem restrições. Vai em frente sem reservas. Obediente e dedicado em seu primeiro teste como pescador de homens.

Quarta estação: Hesitação (Mateus 14.27-33)

Era a quarta vigília da noite, madrugada. E nós num barco acoitado pelas ondas e fustigado por ventos fortes. E lá vinha o Mestre sobre as águas. Incrédulos, os discípulos não podiam crer no que estavam vendo. Aliás, eles acharam que viam um fantasma. E romperam em gritos. Foi quando Jesus os acalmou dizendo: Sou eu. Não temais.

Jesus andando sobre as águas turbulentas do mar era um desafio. Desafio à coragem e crença dos discípulos. E Pedro, também tem um desafio para o Mestre. Se fores tu, faças com que eu ande sobre as águas. E assim se fez.

E Pedro caminhava confiante sobre a face das águas mirando a face de Jesus. Mas logo percebeu o que se passava. Olhou, viu e sentiu as águas molhando seus pés. E teve medo. E começo a submergir. E gritou por socorro. E Jesus lhe estendeu a mão. Por que duvidaste?

A hesitação de Pedro se sobrepôs à sua confiança. E, tirando os olhos de Jesus, naufragou como uma embarcação furada. A dúvida e o medo de Pedro mostraram a pequenez de sua fé. Ainda é preciso trabalhar a hesitação para superar o medo, ganhar confiança e aumentar a fé no Filho de Deus.

Quinta estação: Convicção (Mateus 16.13-16)

Agora nos encontramos em poucos. Jesus e seus discípulos mais chegados. Em meio à conversação uma pergunta do Mestre: Quem dizem as pessoas ser o Filho do Homem? O Batista. Elias. Jeremias. Um dos profetas. Várias respostas. Mas e vocês, quem vocês dizem que eu sou? Simão Pedro acerta na mosca: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo.

Que bela confissão de Simão. Ele está antenado nas opiniões do povo sobre quem é Jesus. Ele sabe o que os outros pensam sobre o seu Mestre. E, atento àquilo que a população diz, ele se posiciona e dá a sua própria opinião. Ele não se deixa levar pela postura da maioria dos seus conterrâneos. Ele formula a sua resposta a partir de sua vivência com Jesus. A partir do que seu coração sente do toque de Deus, o Pai. Pedro demonstra toda a sua convicção nesta confissão de que Jesus é o Cristo de Deus.

Sexta estação: Participação (Mateus 16.18-19)

A resposta anterior de Pedro provoca uma reação de Jesus. Muito bem Simão Barjonas! Serás uma pedra no alicerce da minha igreja. Pedro transformado em pedra. Pedra de alicerce. Sustentáculo para a igreja. Pedra viva para edificar um edifício espiritual.

Fico impressionado com essas palavras. Pedro tem o voto de confiança do Senhor Jesus. Sua confissão de que Ele é o Cristo lhe dá a solidez necessária para servir de alicerce sobre o qual outras vidas serão edificadas. Pedro tem participação fundamental na construção da comunidade da fé.

Sétima estação: Reprovação (Mateus 16.21-23)

Ali mesmo, Jesus passa a explicar o que significa ser o Cristo de Deus: sofrimento, morte e ressurreição. Eu fico observando as reações dos discípulos. E vejo Pedro tomar a iniciativa de ter um particular com o Mestre. Ele o chama de lado e o reprova: Deixa disso Jesus, nada disso vai acontecer com você.

Preciso admitir: homem de coragem esse meu amigo Pedro. Reprovar Jesus não é algo a que muitos se atreveriam fazer. Arreda, Satanás! És pedra de tropeço para mim, Pedro. Eita! De pedra de edificação para pedra de tropeço em minutos. É porque Simão precisa saber o inteiro significado de Cristo.

Disposição, prontidão, convicção contam muito, mas ainda falta a Pedro a percepção da totalidade. Ele ainda está sendo lapidado por Jesus para ser um pescador de homens.

Oitava estação: Visão (Mateus 17.1-8)

Noutra ocasião, Jesus foi para um monte e levou Pedro consigo. Ali o Nazareno se transfigurou diante de seus olhos. E na transfiguração Moisés e Elias entram em diálogo com o Senhor. Cena misteriosa.

Pedro atônito sem saber o que dizer larga esta pérola: Posso fazer três tendas aqui, Senhor. A luminosa visão da verdadeira natureza do Filho de Deus parece obscurecer o entendimento de Pedro. Não é hora para falar. E uma voz o confirma: Este é meu Filho amado em quem me comprazo: a ele ouvi.

Diante desta visão os discípulos caem de bruços com medo. A transfiguração se desvanece. Jesus toca seus discípulos. Pedro reerguido do chão não vê mais nem Moisés nem Elias, apenas o Mestre. E compreende que, diante da visão do Cristo transfigurado, nada de palavras, apenas ouvidos.

Nona estação: Compaixão (Mateus 18.21-22)

Mais adiante, em nossa jornada pelo Evangelho de Mateus, vejo um Pedro preocupado com a convivência pacífica entre os irmãos e com a estabilidade da comunidade. De quanto perdão precisamos para manter a paz? De todo perdão que puderem dar e receber.

Simão, com essa pergunta legítima e necessária, quer aprender como se deve proceder em relação à comunidade de discípulos. Ele demonstra interesse nas resoluções de conflitos na Igreja. Pedro está aprendendo a ser paciente, compassivo e longânimo, qualidades essenciais para o trabalho de um pescador de homens. Em suma, ele está exercendo compaixão.

Décima estação: Negação (Mateus 26.31)

Já bem no final de nossa caminhada acontece o inusitado. Jesus novamente toca no assunto do sofrimento, morte e ressurreição. Só que desta vez está na hora deste drama se desenrolar. E o Mestre avisa que todos os discípulos ficarão escandalizados.

Pedro, impulsivo como ele só, protesta e diz que, mesmo que todos se escandalizem ele não se escandalizará. Pobre Pedro. Ele fará bem mais do que isso. Ele negará Jesus por três vezes consecutivas. Ainda que tenha dito que se preciso fosse iria até a morte com o Nazareno.

E aconteceu o anunciado. Pedro nega Jesus com toda a veemência que lhe é peculiar. E caindo em si, chora copiosa e amargamente.

Nossa viagem, minha e de meu amigo Pedro, pelo Evangelho de Mateus não terminou aqui. Nós fomos até o final quando Jesus enviou os onze em missão. Pedro entre eles.

Simão Pedro me mostrou o que havia prometido mostrar no início desta jornada: como Jesus o transformou em pescador de homens. Pedro me mostrou, em cada estação, um aspecto do seu caráter que foi mudado, transformado e moldado.

Sua disposição em seguir a Jesus. Sua recepção ao Mestre em sua casa. Sua prontidão em atender à missão. Sua hesitação em crer incondicionalmente no Senhor. Sua convicção em fazer uma confissão de fé contundente. Sua participação na edificação de vidas. Sua reprovação do Mestre. Sua visão do Cristo transfigurado. Sua demonstração de compaixão pelos da comunidade de fé. Sua negação de Jesus. E sua restauração final.

Obrigado pela viagem meu amigo Pedro.

 --------------------------   O infográfico desta reflexão pode ser baixado aqui.    --------------------------

 

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