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Prédica: Eclesiastes 1.2; 2.18-26
Leituras: Colossenses 3.1-5 (6-8) 9-11 e Lucas 12.13-21
Autor: José Roberto Cristofani
Data Litúrgica: 11º Domingo após Pentecostes
Data da Pregação: 20/08/1995
Proclamar Libertação - Volume: XX

proclamar libertacao 20

É importante observar que este auxílio será utilizado na Semana Nacional do Excepcional. Para tanto sugerimos a leitura de PL XE, p. 34-44; PL XVII, p. 264-273, e bibliografia ali sugerida.

1. Os textos

Na verdade temos dois textos: Ec 1.2 e 2.18-26. O primeiro deles faz parte da introdução geral do livro. O segundo tematiza o trabalho. Ec 1.2 é a um tempo critério de leitura do livro de Eclesiastes e seu refrão. Este versículo forma uma inclusão com 12.8, de forma a definir a perspectiva de leitura de todo o livro. Além disso, essas palavras (Vaidade de vaidades! tudo é vaidade) ressoam por toda parte no livro. Pode-se ler em 1.14; 2.11,17,26; 4.4,16; 6.9 (vaidade e correr atrás do vento). Em outras passagens, tais como 2.15,19,21,23; 3.19; 4.7; 5.(6)7,(9)10; 6.2,4,11,12; 7.6,15; 8.10,14 (2 x); 9.9 (2 x); 11.8,10 lê-se  vaidade.

Esse fato deveria por si só nos pôr em alerta quanto à abordagem que Qoelet faz dos diversos assuntos sobre os quais medita: o trabalho, o estudo, a mocidade, a sabedoria, entre outros. Porém, se lermos os outros dois versículos da introdução, isto é, Ec 1.1 e 3, teremos uma visão mais clara do programa do Pregador. No versículo l o autor do texto atribui o livro a Salomão. Certamente esta é uma localização histórica fictícia, mas isso funciona como um recurso literário que nos aponta o ambiente da corte salomônica e suas condições de opressão, que, se não são as mesmas, são bastante semelhantes, a ponto de se poder fazer algum tipo de associação com ela. Há que se lembrar que o livro do Eclesiastes está inserido no período grego, o que significa que os judeus estão sob jugo estrangeiro.

Já no versículo 3 o texto nos fala de trabalho, proveito e afadigar. Na compreensão do Pregador, tudo o que se passa debaixo do sol é trabalho e causa fadiga. Da mesma forma que vaidade, a palavra trabalho (trabalhar) aparece, em muitas e decisivas instâncias ligada, o mais das vezes, à palavra ' fadiga'' (afadigar, afligir) que tem a mesma raiz; por exemplo: 2.10,11,18,20,21,22; 3.9; 4.4,6,8,9; 5.15(14),18(I7),19(18); 6.7; 8.15,17; 9.9; 10.15. Desta forma o trabalho é abordado no livro do Eclesiastes como abrangendo toda a atividade humana, atividade que causa canseira e enfado. Isso provoca a pergunta pelo proveito dessas atividades, pergunta/constatação que de igual forma perpassa o livro; por exemplo: 2.11; 3.9; 5.9(8),16(15); 7.12.

Portanto, o livro de Eclesiastes tematiza as atividades humanas da perspectiva das opressões salomônicas e sob o jugo grego, de forma que tudo se torna vaidade e correr atrás do vento, pois que proveito pode haver em tudo isso? O trecho de Ec 2.18-26 é parte da unidade que tem seu início no versículo l, de forma que todo o cap. 2 focaliza o trabalho de maneira especial, isto é, a questão é como achar o sentido no trabalho, sentido que o texto chama de gozo e alegria (vv. 1. 24). O trabalho, no cap. 2, abarca toda a atividade civil, agropastoril, económica e intelectual, de forma a abranger toda a área do labor humano.

Aparentemente todo trabalho é realizado com destreza e é a sabedoria (v. 21) que lhe confere o aspecto distintivo em relação à mesma atividade realizada com insensatez. De certo modo, temos o trabalho realizado sob condições ideais de produção, ou seja, experiência e sabedoria, que tem como resultado uma obra bem feita. Além disso, o labor realizado proporciona ganho no presente, como proporciona também certo acúmulo para a posteridade. Mas aí surge uma pergunta inquietante: qual o valor de tudo isso? Quem vai desfrutar do trabalho realizado (veja Lucas 12.20)? Com que direito a posteridade, isto é, os outros desfrutarão do serviço realizado pelo trabalhador?

Talvez essas perguntas ajudem a compreender por que o v. 18 fala do homem aborrecido com sua fadiga, pois ele parece não estar convencido de que a dinâmica trabalho-ganho para outros, que predominava na sociedade de seus dias, seja algo que dê sentido às suas atividades.

Assim, o v. 24 ressoa como parte da solução para as considerações e perguntas inicialmente formuladas pelo autor no início do cap. 2. Pois o gozo e a felicidade são compostas não apenas do trabalho realizado, mas também do trabalho gozado, isto é, do gozo do fruto do trabalho.

Por fim, o gozo é visto como provindo das mãos de Deus como uma benção a ser desfrutada em companhia de Deus (v. 25). Todavia, não se suspende o juízo de que ' 'também isso é vaidade e correr atrás do vento (v. 26). Portanto, um dos ângulos sob o qual se pode apreciar Ec 2.18-26 é olhá-lo a partir da busca do sentido do labor humano.

Assim, pode-se concluir que o texto parece indicar uma situação na qual pessoas buscam o significado daquilo que realizam. O trecho traduz esse anseio como a busca da felicidade e alegria, que devem ser encontradas nos frutos do trabalho realizado. Isso significa que o homem deve desfrutar o benefício (comer, beber, gozar) de sua atividade profissional, encarando isso como um direito e mesmo um dever.

2. Encaminhamentos para a prédica

Sugerimos alguns pontos que podem auxiliar na preparação e exposição da mensagem.

1. Como introdução pode-se fazer uma breve consideração sobre a concepção utilitarista do trabalhador em nossa sociedade, como, por exemplo: a situação dos aposentados, que, via de regra, são retirados do sistema produtivo, não por causa de sua justa aposentadoria, mas por não atender mais ao ritmo da produção devido a sua idade. Podemos pensar nos operários que por causa de acidentes de trabalho foram mutilados e, como dizem as indústrias, se tornaram inválidos para a produção. Pessoas descartáveis! Há também a situação das mulheres que engravidam e geralmente são demitidas após o período de licença-maternidade.

2. Dentro disso, pode-se fazer também uma reflexão sobre a situação dos deficientes face ao atual sistema de produção, tanto industrial quanto agrícola.

3. Caberia também uma consideração sobre o trabalho alienante.

4. Finalmente, uma menção pode ser feita ao caráter acumulativo que norteia o trabalho de muitos, isto é, trabalhar para acumular.

5. A exposição do texto bíblico iluminaria esses aspectos citados, corrigindo-os ou redirecionando-os conforme a necessidade local. (Obs.: Lembre-se que o autor deste auxílio está escrevendo dentro do contexto de uma cidade industrial.)

3. O culto

Sugerimos uma organização do culto que leve em conta a participação da comunidade. Assim, poderia-se pensar no seguinte:

1. Cada membro da comunidade trazer o seu instrumento de trabalho. Caso isso seja inviável, que traga algo que simbolize seu labor diário. Cada instrumento ou símbolo seria colocado sobre ou ao redor do altar.

2. Escolher duas ou três pessoas para compartilharem com a comunidade a importância de seu trabalho.

3. Escolher dois ou três jovens ou adolescentes para falarem de suas expectativas em relação a uma profissão ou carreira futura.

4. Caso haja deficientes na Igreja, pedir que eles falem de suas experiências no trabalho ou qualquer outra atividade que realizem.

Obs.: Cada parte desta sequência pode ser entremeada de cantos, orações, ofertório, confissão, entre outras coisas.

4. Bibliografia

GLASSER, E. O Processo de Felicidade por Coelet. São Paulo, Paulinas, 1975.

MURPHY, R. E. Eclesiastes (Qohelet). GrandRapids, W. B. Erdmans, 1991. (FOTL, XIII). RAVASI, G. Coelet. São Paulo, Paulinas, 1993. (PCB-AT).

http://www.luteranos.com.br/textos/eclesiastes-1-2-2-18-26

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