WhatsApp Logo 1 site

central de atendimento

sala de aula site

 

Lucas 18.35-43

35 Aconteceu que, ao aproximar Jesus de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas. 36 E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo. 37 Anunciaram-lhe que passava Jesus, o Nazareno. 38 Então, ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! 39 E os que iam à frente o repreendiam para que se calasse; ele, porém, cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 40 Então, parou Jesus e mandou que trouxessem o cego. E, tendo ele chegado, perguntou-lhe: 41 Que queres que eu te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu volte a ver. 42 Então, Jesus lhe disse: Recupera a tua vista; a tua fé te salvou. 43 Imediatamente, tornou a ver e seguia-o glorificando a Deus. Também todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.

a beira do caminho Um sermao na primeira pessoa Lucas 18.35-43 Pastor Cristofani

Você me pergunta por que eu canto e louvo ao Senhor com tanta alegria e intensidade. Eu tenho muitos motivos para fazer isso. E se você me permite, em poucos minutos posso contar o motivo principal desta minha alegria. Você tem uns minutinhos? Pois bem, então ouça bem.

Um dia, como de costume, eu estava sentado à beira dum caminho. Era nos arredores de Jericó. Um caminho bem movimentado, por sinal, principalmente porque vinha de Jerusalém. Por ali passavam legiões romanas de ocupação. Passava, também, grupos de oposição a Roma. Passava boi, passava boiada. Gente sozinha e gente acompanhada.

Por muito tempo vivi nesta situação. À beira do caminho próximo a Jericó. O que eu fazia ali? Esmolava. Pedia esmolas para os viajantes. Suplicava a todos por alguns trocados e migalhas. Não podia vê-los, mas ouvia quando se aproximavam. Não podia contemplar suas faces, contudo podia sentir que tipo de pessoa estava lançando uma moeda ou um pedaço de pão.

Sabe... esse poder de sentir sem ao menos ver é um tipo de dom que nós cegos desenvolvemos. Talvez para compensar nossa falta de visão. Na voz do esmolador era possível perceber, pelas vibrações, seus sentimentos em relação a um pedinte. Dó, compaixão, desprezo, desobrigação, e outros tantos sentimentos que levam as pessoas a darem esmola.

Por tanto tempo nesta situação, já vira muitas coisas acontecerem ali. E ouvira muitas pessoas atravessarem aquele caminho. Mas certo dia algo muito diferente aconteceu. Ouvi um barulho que não consegui identificar. Rapidamente minha memória trouxe à tona uma antiga história sobre Jericó. Quando criança, ouvi dos lábios dos anciãos do meu vilarejo sobre como Yehoshua, ou Josué, e os seus “corneteiros” derrubaram as muralhas desta cidade. Ao alarido das trombetas as muralhas de Jericó ruíram.

Sabe ... o nome Josué (Yehoshua) significa “o Senhor salva”. Às portas da terra prometida, defronte das muralhas de Jericó, o nome de Josué (Yehoshua) é uma lembrança. Uma lembrança bem recente da salvação do Senhor. Do Deus que libertou nosso povo da opressão egípcia. Yehoshua, um nome carregado de significado. Nome que significou a salvação do nosso Deus. Deus que tirou poucos escravos da margem do país do Egito e nos transformou em um grande povo. Este é o significado do nome Josué (Yehoshua) – “o Senhor salva”.

Certamente o que eu estava ouvindo naquele momento não era um trombetear. À medida que se aproximava o som tornava-se mais alto e mais claro. Era um tropel de pessoas, aparentemente uma multidão.

O cheiro de poeira no ar chegava antes e anunciava aquele movimento em minha direção. O que poderia ser aquela movimentação toda? Eu já nem ouvia mais os comentários dos meus companheiros de mendicância. Concentrei-me naquele evento e me pus a imaginar o que era aquilo.

Pensei em uma centúria romana voltando de Jerusalém. Eles iam com frequência à cidade santa para apaziguar rebeliões. Porém, os gritos não eram de soldados. Os legionários, após suas vitórias, esbravejavam palavras depreciativas contra seus inimigos. Podiam-se ouvir os brados de humilhação contra os perdedores. E as lamúrias dos prisioneiros arrastados como animais para qualquer parada de triunfo e vitória.

Não, não eram romanos. Imaginei, então, pelo vozerio, que talvez fosse um dos muitos grupos de revoltosos contra Roma. Havia diversos setores da nossa gente que não aceitava a dominação estrangeira. E por isso pegavam em armas e se lançavam contra as Legiões. Entretanto, meus ouvidos não sentiam a aspereza característica das palavras de ordem contra os senhores da pax. Não se ouvia os gritos, sequer murmúrios, de maldição contra os invasores. Tão pouco se podiam ouvir os protestos veementes daqueles que se consideravam donos da terra prometida.

Não, não eram rebeldes, com certeza. Nem romanos, nem rebeldes. O que seria então aquele ruído que agora estava tão perto de mim? Eram pessoas, disto não tinha dúvidas. Coloquei todos os meus sentidos em prontidão. Num salto coloquei-me em pé. Estava tão excitado quanto curioso para saber o que se passava. Podia, neste momento, sentir pessoas bem perto de mim. Os gritos que ressoavam no ar eram diferentes de qualquer coisa que já se ouvira naquele caminho. As vozes alçavam um misto de louvor e clamor. Uma mistura de bendição e súplica. Nunca tinha ouvido nada igual.

As vozes que entrecortavam umas as outras proclamavam paz na terra. Eram como as poderosas trombetas que outrora tinham abalado os muros de Jericó. Só que desta vez os brados estremeciam as muralhas da existência humana. Derrubavam as barreiras da separação. Cantoria que trazia para o Caminho todos nós que vivíamos à margem dele. E nos incluía no coro jubiloso dos soerguidos do esquecimento.

Naquele dia, havia mais do que poeira suspensa no ar. A brisa quente que emanava dos corpos da multidão exalava borrifos de alegria. Era como se aquela multidão transpirasse um bom perfume. E não era de alfazema.

Trêmulo pela nova experiência quis saber o que se passava. Tenso pelo medo de ser arrastado por aquela torrente de gente, perguntei a alguém próximo de mim. O que é isto? O que está acontecendo? Que multidão é essa? Como eu estava quase gritando, os que estavam adjacentes responderam: É Jesus, o Nazareno, quem está passando. Eu já tinha ouvido falar de Jesus. Sua fama corria célere em toda parte. Dizia-se Dele que curava doentes, purificava leprosos, levantava paralíticos, endireitava os coxos, restituía vista aos cegos. Meu coração de imediato se manifestou: Eis ai a minha chance!

Nunca tivera a oportunidade de encontrar esse tal Jesus. Tinha ouvido falar dele. Mas encontrá-lo pessoalmente era uma surpresa inaudita. Num arroubo de esperança gritei com as palavras que me vieram à boca: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Os que precediam a multidão mandaram que me calasse. Tateando entre cotovelos e corpos eu clamava a plenos pulmões: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Meus ancestrais haviam me ensinado que alguém muito especial viria da tribo de nosso pai Davi. E em meu coração não tinha dúvidas de que Jesus, o Nazareno, era este alguém especial.

Gritei com todas as minhas forças. Esgoelei-me intensamente. Berrei insistentemente até que Ele me ouvisse. E de repente aconteceu um silêncio. Foi como se o tempo tivesse parado. E naquele instante ouvi uma voz. De todas as vozes que já ouvira, aquela tinha um tom doce e familiar. Aquela voz ressoou rasgando o ar. Tragam-no aqui. Rompendo a multidão com a ajuda dos que estavam ao meu lado, cheguei à presença de Jesus.

Todos estavam atônitos, pasmos com aquela cena. Um cego diante de Jesus. Uma pessoa entre tantas outras. Um desafio à autoridade do Nazareno. Uma oportunidade de se manifestar ali o poder de Deus. Diferente do diálogo eloquente dos rabis aos quais estávamos acostumados, calma e diretamente ele me perguntou: Que queres que eu te faça? De pronto, num ato instintivo, ergui meus cegos olhos e disse firmemente: Senhor, que eu torne a ver. Nesta frase coloquei todo o meu desejo de voltar a enxergar. Carreguei cada palavra com intensa emoção. Recheei cada sílaba com a mais pura sinceridade. Disse cada letra com toda a fé que tinha em meu peito.

A resposta de Jesus foi rápida. Apesar de que, para quem espera um milagre, cada milissegundo é uma eternidade. Ele disse de pronto: Recupera a tua vista, a tua fé te salvou. Imediatamente a forte luz do dia, da qual ficara privado por tanto tempo, penetrou em minha retina. Tapei os olhos com as mãos. A forte claridade ofuscava minha recém-recuperada visão. Enquanto permanecia com as mãos no rosto, podia ouvir exclamações de admiração, louvor e bendição. Lentamente meus olhos puderam ver a silhueta daquele que me dissera as palavras restauradoras. E logo pude mirar seus olhos ternos de misericórdia e compaixão.

Maravilhado pela novidade de voltar a ver, olhava para todos. E sem nenhuma palavra dizia: Vejam isto! É um milagre! Um sinal de que alguém enviado por Deus está entre nós! Vejam! Vejam! Eu posso ver! Eu posso ver novamente! Meu tremor agora era de gratidão. Minha tensão cedeu lugar ao alívio. Glorifiquei a Deus. E aquela multidão irmanou-se em um coro que dava glória a Deus. Formamos um grande cordão de louvor, e cada um a seu modo, bendizia o Senhor. E entramos todos com muito júbilo em Jericó.

Quando refeito daquele êxtase memorável, eu meditei nas palavras de Jesus, o Nazareno. E lembrei-me de que ele dissera duas frases. A primeira foi: Recupera a tua vista. E isso de fato aconteceu. E eu entendi prontamente, pois agora posso ver. Posso ver as pessoas que amo as quais sentia nos abraços. Posso ver os meus animais de estimação os quais só sentia quando os acariciava. Posso ver a paisagem ao redor da cidade da qual fiz parte. E posso ver o caminho no qual por tantos anos mendiguei.

Entretanto, é justamente na segunda frase de Jesus, Filho de Davi, que aplico meu coração todo dia. Ele disse: Tua fé te salvou. Estas palavras calaram fundo em meu ser. Depois de ter me acostumado novamente a ver tudo como era antes, compreendi que nada era igual ao que era antes. A expressão tua fé te salvou fez toda a diferença. E quanto mais eu repito essas palavras, mais eu compreendo o seu significado. O Senhor Jesus não apenas me devolveu a visão, mas me salvou.

Sabe ... o nome Jesus (Yehoshua) significa “o Senhor salva”. Às portas de Jericó, o nome de Jesus (Yehoshua) é mais que uma lembrança, é uma presença. A presença salvadora do Senhor. Do Deus que tem um interesse muito especial em salvar pessoas. Em tirá-las da margem e recolocá-las no Caminho. Yehoshua, um nome carregado de poder. Poder de Deus para abrir os olhos aos cegos. Poder de Deus para trocar as migalhas por abundância. Poder de Deus para restaurar um filho à Sua família. Este é o significado do nome Jesus (Yehoshua) – “o Senhor salva”.

Houve um tempo em que eu vivi de esmolar. Pedia às pessoas que me dessem algo para comer. Ou algum trocado para poder comprar meu alimento. Vivia das migalhas da sociedade. Vivia das sobras das pessoas. Vivia das míseras moedas dos viajantes. Agora, experimentei a salvação. Experimentei a abundância da graça de Deus. Experimentei a riqueza do Seu poder. Experimentei a compaixão desmedida do Senhor. Como posso me contentar com as migalhas do mundo? Como posso viver esmolando alguns trocados? A salvação me libertou desta situação.

Houve um tempo em que eu vivi à beira do caminho. Era levado para a beira da estrada. Ali, suplicante, fazia parte de uma paisagem desolada e árida. Pó e poeira era meu alimento. Solidão e desprezo era minha bebida. Agora, experimentei a salvação. Experimentei a direção das mãos de Deus. Experimentei o deleite de andar no Caminho. Experimentei a companhia dos meus irmãos e irmãs que andam na mesma paisagem. Como posso me conformar em ser conduzido para a margem? Como posso me conformar em fazer parte da paisagem desolada do mundo? A salvação me resgatou desta condição.

Por isso, quanto mais eu me recordo das palavras Tua fé te salvou, mais e mais convicto eu fico. E quanto mais esta palavra de salvação cresce em mim, mais e mais eu repito este encontro transformador que tive com Jesus, o Nazareno, que para mim continua a ser o Filho de Davi.

Por que eu canto e louvo o Senhor com tanta alegria e entusiasmo? Por causa desta inesquecível experiência à beira do caminho.

Deixa eu te perguntar:

Às vezes não sentes que estás à beira de um caminho árido e triste? Que de cego que tu andas, outros te conduzem para esse caminho desolado?

Às vezes não sentes que estás vivendo de migalhas? Não sentes como a um pedinte a suplicar alguma esmola, uns poucos e míseros trocados?

Por vezes, não sentes que Jesus está passando e tu permaneces mudo? Tens vontade de gritar por misericórdia e outros estão te impedindo?

A boa nova é que Jesus, o Nazareno, passa por aqui novamente. E passa com a mesma missão e disposição de salvar e resgatar e curar e recolocar no Caminho quem está à margem Dele. Jesus passa por aqui hoje. Grite: Jesus tem compaixão de mim. Berre: Filho de Davi tem misericórdia de mim.

E o Senhor Jesus interromperá seu trajeto para te dar atenção e ouvir teu clamor. Para te abençoar com abundância de vida. E para te restaurar para o Caminho.

Creia e clame, Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim.

Receba as Novidades

cristofani-caricatura-tres

Arquivo do Blog

Powered by mod LCA