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Artigo Dr. CristofaniQuero falar com você sobre como aprender mais e melhor. Sobre quantidade e qualidade. Vou apelidar isso de aprendizagem significativa. E considerar que você é um adulto que aprende sozinho! Esta é uma máxima da Andragogia.

Como aprender mais e melhor! (Provérbios 24.30-34)

Mas como alguém pode aprender mais e melhor? Há muitas técnicas por ai que ajudam a exercitar as capacidades de aprender. E elas podem ser encontradas facilmente numa busca pela Internet, biblioteca ou livraria. Por isso, eu acho desnecessário falar com você sobre os “macetes” de aprender. Também não vou falar sobre as caraterísticas do aprendiz adulto. Sobre isso você pode ler a minha série de artigos sobre o tema.

 Eu vou sugerir que, antes de treinar técnicas para aprender mais e melhor, é necessário conhecer o processo de aprendizagem. Não vou falar de estilos de aprendizagem. Quero ajudar você a descobrir, a partir da avaliação de uma experiência concreta, qual é o processo mental para uma aprendizagem significativa. Como esse processo mental de aprendizagem ocorre em cinco momentos: 1. Epa! 2. Uau! 3. Ask! 4. Aha! 5. Eba!

Lembro a você que esses cinco momentos acontecem quase que simultaneamente em nosso cérebro. Aqui eles estão separados de forma didática para facilitar a compreensão.

Cérebro no automático

Você já reparou quantos impulsos nossos sentidos recebem diariamente?! Por exemplo, no trajeto que fazemos todos os dias. Pode ser de casa para o trabalho, de casa para a escola e vice e versa. Mas já reparou que estamos tão acostumados com esses impulsos que já não prestamos mais atenção neles. E de tão acostumados que estamos não damos atenção aos detalhes, nem percebemos as pequenas variações que qualquer caminho apresenta aos nossos sentidos.

Essa aparente falta de atenção nada mais é do que o nosso cérebro funcionando no automático. O que isso quer dizer? Quer dizer que nosso cérebro poupa energia ao acionar as rotinas que ele conhece tão bem. Ele resgata na memória as informações necessárias para que façamos as coisas de forma inconsciente e automática. Veja como dirigimos um carro. É nosso cérebro no automático.

Agindo assim, nosso cérebro poupa energia. Energia que ele utiliza em nossos processos conscientes. Para tarefas novas e aquelas que exigem um processamento na memória de curto prazo.

Esse mecanismo é excelente e nos protege. Todavia, se queremos aprender de forma significativa, não podemos manter nosso cérebro sempre no automático. Caso contrário, não faremos nada mais do que repetir, com pouca variação, o que nós já sabemos. É preciso, portanto, interferir nos processos mentais de forma consciente e direta se quiser aprender mais e melhor. E como podemos fazer isso?

Desligando o automático

Deixa-me tentar mostrar como podemos passar o cérebro do automático para o manual.

Você vai para o trabalho no mesmo trajeto todos os dias. Em geral, você vai pensando nas tarefas que você tem que realizar ao longo do dia. Às vezes, vai pensando nos problemas que deixou em casa. E quando se dá conta, já está na porta do trabalho. Você faz isso praticamente de forma automática, não é mesmo?!

Pois bem! Para brecar o fluxo de pensamentos é preciso dar importância aos impulsos que nossos sentidos recebem. Impulsos que serão transformados em informações preciosas para desencadear uma aprendizagem significativa.

Quero propor um exercício baseado numa situação concreta de aprendizagem. Uma situação na qual um adulto aprende sozinho. E eu sei que você passa por experiências semelhantes todos os dias. Então, acho que esta fala irá ajudar você a perceber como podemos aprender mais e melhor no dia a dia.

A situação que vamos analisar é alheia. Alheia por ser de outra pessoa. Mas nem por isso ela não pode ser nossa, pois é uma experiência comum a todos os humanos. Basta conhecermos e nos apropriarmos do processo, sabendo que ele ocorre com todos nós. Por isso, é muito instrutiva para todos nós essa vivência alheia, pois apresenta um processo mental de aprendizagem.

Assim, espero que você, conhecendo este processo de aprendizagem que vou apresentar, treine sua capacidade de aprender mais e melhor. Isso porque, quando sabemos como algo funciona, como algo se processa, ai então nós podemos desenvolver nossas próprias técnicas para tirar o melhor proveito disso.

Um processo, cinco momentos!

Para esse exercício, vou usar um texto do livro de Provérbios. Creio que ele vai nos ajudar, e muito, nessa tarefa. O trecho eu transcrevo abaixo. A tradução do hebraico é minha mesmo.

30. Através do campo cultivável de um homem ocioso eu atravessei,
      e através da plantação de uvas de uma pessoa que necessita de coração.
31. E, olha só! Crescia sobre todo ele urtigas,
      estava coberta toda a superfície de ervas daninhas,
      e o seu muro de pedras encontrava-se em ruínas.
32. (a) Então eu mesmo tive uma visão, e (b) apliquei o meu coração,
      e (c) vi o que se pode aprender, e (d) aprendi uma lição.
33. Só mais um pouco de sono, só mais um pouco de cochilo,
      só mais um pouco de braços cruzados para fazer a sesta.
34. Então, está vindo, rondando ao redor, a tua pobreza,
      e tua penúria, tal qual um homem fortemente armado.
                                                                     (Provérbios 24.30 a 34)

Provérbios capítulo 24 versos 30 a 34 registra uma experiência cotidiana. Uma situação pela qual todos nós passamos. Alguém está seguindo naturalmente o seu caminho diário. De casa para o trabalho na roça. Uma cena bem comum. Tão comum que às vezes passa despercebida.

Mas não passou para aquela pessoa. No seu rumo havia uma chácara e uma plantação de uvas. E tudo estava cheio de espinhos, mato e o muro derrubado. Imediatamente a pessoa concluiu: essa propriedade pertence a algum preguiçoso que não tem entendimento.

Como esse sujeito chegou a essa conclusão? Ele poderia ter visto no noticiário e simplesmente ter repetido o que ouviu. Ou poderia ter escutado isso dos vizinhos e engrossado o coro da maioria. Porém, ele formou a sua própria opinião sobre aquilo e chegou a sua própria conclusão.

E como ele fez para chegar à conclusão de que estava diante de uma propriedade de gente preguiçosa?

1. Momento Epa!

Para obter uma aprendizagem significativa é preciso tempo. Não entre nessa de aprendizagem rápida. Aprender leva tempo. E tempo de qualidade. A pressa continua a ser um obstáculo à aprendizagem.

Note você que o nosso personagem parou diante daquele impulso visual. Teve seu momento Epa! Suspendeu mentalmente o seu trajeto. Desligou o automático. A expressão “E, olha só” do verso 31 mostra que ele gastou tempo olhando aquela cena de desolação. É como se dissesse para si mesmo: Veja isso! A que ponto chega o desleixo humano!

Passando através daquela propriedade arruinada ele se deu o tempo necessário. Tempo para que seus olhos percorressem os detalhes da cena. Tempo para que a recepção fosse a mais completa e abrangente possível. Observou com calma as urtigas que cresciam e tomavam conta do terreno. Contemplou as ervas daninhas que forravam o chão. Atentou para o muro de pedras que se encontrava em ruínas. Formou um quadro preciso da cena em sua mente.

Esse é primeiro momento da aprendizagem significativa. O momento Epa! Pare e aprecie. Forme uma imagem o mais completa possível do objeto que você quer conhecer. Tenha o seu momento Epa!

Muitas pessoas têm seu momento Epa! Mas ficam apenas olhando. Ficam olhando e concluindo com a conclusão dos outros. Param para apreciar e param por ai.

2. Momento Uau!

Acontece que é este impulso visual que desencadeia o processo de aprendizagem. Se você abortá-lo, não será capaz de aprender nada de novo. É preciso deixar-se ensinar. É necessário que você vá adiante. É indispensável que você queira percorrer todo o caminho da aprendizagem até o fim. É essencial ter disposição para aprender.

E qual é o caminho completo do processo de aprendizagem significativa nesta situação concreta que estamos analisando? A sequência continua num movimento contínuo. O primeiro passo desta jornada é o momento Epa! O segundo passo é o momento Uau!

Chamo de momento Uau! o instante de “ter uma visão” (verso 32a). Eita, professor! Ai é muito pra minha cabeça. Ter uma visão já é demais. Calma, com a expressão “ter uma visão” eu quero dizer que você deve ter um insight. Uma lâmpada deve acender na sua cabeça.

Para que você tenha uma visão é necessário que você consiga ver algo que não está fisicamente presente na cena. Você deve ser capaz de ver além das aparências que os seus olhos apresentam. Ter uma visão é vasculhar a memória de longo prazo e selecionar as experiências que estão guardadas lá. Quando você seleciona esses registros ai você é capaz de classifica-los e compará-los com a situação que se apresenta diante de você.

Esse é o seu momento “Uau!”. Algo estala na sua cabeça. Uma faísca acende em sua mente. É o momento de iluminação. Digo iluminação, porque a raiz do verbo hebraico “ter uma visão” é usada também na palavra “relâmpago” e “visionário”. Assim, você tem uma iluminação, um lampejo. Torna-se visionário. Você consegue ver além das aparências. E ai você pergunta: Como eu não tinha visto isso antes? Como eu pude viver sem ver o que eu vejo agora? E prossegue, assim, a caminhada rumo à aprendizagem significativa.

3. Momento Ask!

Entusiasmado por este momento “Uau!”, você avança para o terceiro momento. O momento Ask! Você “aplica o coração” (verso 32b) no assunto. É muito interessante a maneira com que o ato de fazer considerações é descrito na cena que estamos avaliando. O personagem, aquela pessoa que está vivenciando a situação, fala em “aplicar o coração”.

O que ele quer dizer com essa expressão? Primeiro é preciso lembrar que “coração” na língua bíblica do Antigo Testamento pode significar várias coisas. Um sentido, e talvez o mais comum, é “entendimento”. Isso quer dizer que o coração era visto como a sede do entendimento humano.

Foi por isso que na minha tradução do texto eu deixei a palavra coração nas duas vezes que ela ocorre neste texto de Provérbios. Uma vez no verso inicial “necessita de coração”. O que pode ser traduzido por “necessitado de entendimento”. E outra vez neste verso 32b que estou analisando.

É preciso lembrar, em segundo lugar, que a palavra “coração” evoca a dimensão afetiva da aprendizagem. A dimensão afetiva e emocional de uma instrução é o processo de aquisição e internalização de valores. Assim, ao utilizar a palavra “coração”, a pessoa do texto dá a entender que tanto o aspecto intelectual, quanto o afetivo devem estar envolvidos no processo de aprender.

Em terceiro lugar, é útil lembrar que o verbo aplicar, nesta expressão, significa considerar ou colocar. É como dizemos: Temos que colocar o coração na coisa.

Portanto, o que ele quer dizer com essa expressão “apliquei o coração”? Ele quer mostrar que para se aprender algo é fundamental ir mais fundo. É essencial fazer considerações sobre o que você vê e aquilo que você resgatou da memória.

E como isso funciona? Bem, neste terceiro nível, acho que posso chamar assim, você deve considerar alguns fatos que possam ajuda-lo na compreensão do que você está vivenciando. Uma boa maneira de fazer considerações é formular perguntas. E você sabe que pergunta idiota é aquela pergunta que a gente não faz.

Para formular boas perguntas, tente se lembrar de se você alguma vez já viveu situação semelhante. Pense nas pessoas do seu círculo que já passaram por essa experiência. Busque na sua memória situações, reais ou fictícias, que se parecem com a cena atual. Fictícia, aqui, quer dizer, histórias, filmes, romances etc.

Pergunte pelas possíveis causas de as coisas estarem no estado que estão. O que fez com que as coisas terminassem assim? Foram as circunstâncias que levaram ao colapso? Foi uma catástrofe natural, como seca, inundação, furação? Foi uma atitude deliberada de alguém? Qual a diferença entre este estado de coisas e o estado anterior? Isso foi sempre assim? E por ai vai.

Esse é o terceiro momento do processo mental para uma aprendizagem significativa. O momento Ask! Momento pergunte o que puder! Quanto mais perguntas você fizer melhor.

O terceiro momento no processo de aprendizado significativo, portanto, é aplicar o coração, o entendimento, à situação que você está experimentando agora.

4. Momento Aha!

Esteja certo do seguinte: de nada adianta você parar diante da cena num momento Epa. Ter uma visão, aquele momento Uau! Nem aplicar o coração, o momento Ask! se você estacionar ai. É como interromper uma partida no primeiro tempo.

Sabendo disso, que você não deve parar no meio do processo, você segue adiante e “vê o que se pode aprender” (verso 32c) desta experiência. E dá o quarto passo rumo à aprendizagem significativa. Chamo este momento de Aha! Momento da compreensão.

Esse quarto passo consiste em “ver”. Este verbo ver é diferente daquele que aparece no início do verso 32a “ter visão”. Como disse “ter visão é ter insight”. Agora, este outro verbo ver significa discernir, fazer uma observação mental. Esse discernir é ver o que você pode aprender da situação na qual você está envolvido.

É o momento da compreensão, do discernimento. É o momento que você alcança o entendimento sobre a situação. Aqui você é capaz de elaborar uma lista de argumentos que sustenta sua conclusão. Nesse momento de compreensão você sabe que essa, ou qualquer experiência do dia a dia, é pedagógica. Você é capaz de entender o como e porque da uma determinada situação. Nesse ponto você soluciona uma questão, resolve um problema.

O momento Aha! é o estágio no qual seu cérebro já integrou os conhecimentos da memória com a experiência presente. Você é capaz de distinguir cada faceta do problema e inter-relacioná-la com o todo. Conquista a habilidade mental e afetiva para lidar de forma apropriada com a situação. Fortalece as suas competências de raciocínio e emoções.

5. Momento Eba!

Para que você aprenda de modo significativo, falta apenas mais um momento. Quando nosso personagem diz: “Aprendi uma lição” (verso 32d), ai ele deu o quinto e último passo no caminho da aprendizagem significativa. Ele completou o ciclo de aprendizado. Esse é momento Eba!

O sujeito do texto de Provérbios fala duas palavras: aprendi lição, literalmente. Deixe-me dizer mais duas coisas sobre essa expressão “aprendi lição”. A palavra que ele utiliza para “aprendi” significa, também, recebi, agarrei, obtive, adquiri. Outra observação que faço é sobre o termo que ele usa para lição. Esta palavra também significa instrução, correção, disciplina. Esses significados nos ajudam a perceber que esta pessoa de fato aprendeu. E aprendeu de forma significativa.

A conclusão do processo de aprendizagem é marcada pelo momento Eba! Agora sim, você pode dizer que aprendeu, pois completou o quinto e último passo da cadeia de aprendizado. A lição aprendida é um ganho intelectual e afetivo. Intelectual porque você adicionou conhecimento à sua bagagem. Afetivo porque você integrou esse conhecimento ao seu sistema de valores. Agregou valor à sua vida. Eba!

De volta ao início

Voltemos à pergunta que eu fiz no início: Como o sábio de nossa história chega à conclusão de que o homem que não cuida do seu campo e plantação é um preguiçoso e carece de entendimento? Não foi por causa do noticiário, nem dos vizinhos. Ele mesmo concluiu por meio de um aprendizado significativo.

Ele construiu o seu próprio ponto de vista através de um processo mental elaborado. Elaborado numa sequência lógica de raciocínio e afetividade. Um processo que ele revela a mim, a você e a qualquer leitor atento. Um genuíno processo de aprendizagem significativa.

E qual foi, afinal, a lição que ele aprendeu?

Ele aprendeu que aquele estado de abandono e ruínas em que se encontravam a chácara e o muro tinha causa e consequência. E isso ele diz nos versos 33 e 34. A causa: a preguiça e o ócio malemolente. Dormir, cochilar e cruzar os braços para fazer a sesta. A consequência: a pobreza e a penúria, que já está cercando a casa como um homem armado pronto para atacar.

Descrevi como eu disse no começo, os cinco momentos do processo de aprendizagem significativa: 1. Momento Epa! “E, olha só”. Você para e desliga o automático. 2. Momento Uau! “Ter uma visão”. Você tem um insight. 3. Momento Ask! “Aplicar o coração”. Você faz considerações e perguntas. 4. Momento Aha! “Ver o que se pode aprender”. Você compreende e resolve a situação. 5. Momento Eba! “Aprendi uma lição”. Você adquiriu entendimento.

Como aprender mais e melhor. Dominando cada um dos cinco momentos do processo mental de aprendizagem. Conhecendo cada momento é mais fácil aprender melhor.

E lembre-se da lição: A casa cai para os que vivem na preguiça! Cérebro preguiçoso não aprende significativamente. Aprende apenas a repetir frases feitas, palavras de efeitos, conclusões alheias e opiniões dos outros. Pratique os cinco momentos da aprendizagem significativa.

 

Como aprender mais e melhor! Dr. Cristofani

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