WhatsApp Logo 1 site

central de atendimento

sala de aula site

 

Cartilha de Hebraico - Compre aqui

 cartilha de hebraico

Entrevista concedida ao Instituto Jetro

 

Investir e apoiar vocacionados para o ministério pastoral se tornou coisa do passado?

 

Esta inquietante pergunta faz parte de outra tão ou mais importante que esta: Onde estão os vocacionados? Digo os vocacionados para o ministério pastoral, o que muitos definem como, chamado divino ou vocação.

Como reconhecer um vocacionado ao ministério pastoral ou missionário? Por características?

 

Cristofani - A vocação é um testemunho interior do Espírito Santo. Porém, para não incorrermos em um subjetivismo devemos levar em conta o seguinte:

Uma pessoa vocacionada para o ministério Pastoral ou Missionário deve, em primeiro lugar, ter sua vocação reconhecida pela Comunidade de Fé. É a Igreja, em minha opinião, que tem as melhores condições para discernir as "marcas" em alguém que se diz vocacionado. Em segundo lugar, creio que o Espírito do Senhor sinaliza, de forma visível, aquela pessoa que irá exercer algum ministério. Por isso, digo que tal pessoa trás as "marcas" da vocação. E tais "marcas" serão visíveis aos olhos da Igreja.

Em terceiro lugar, acredito que a pessoa com o dom Ministerial deve evidenciar as "marcas" do seu chamado. Entre elas destaco: disposição para estudo e oração; prática da piedade e caridade cristãs; habilidades de comunicação e relacionamento interpessoal; submissão às Escrituras e ao Espírito de Deus; e alguma capacidade didática. Essas "marcas" ajudam na identificação de alguém vocacionado.

Portanto, reconhecer a vocação Ministerial de uma pessoa passa necessariamente por ouvir a Igreja local e conviver, na medida do possível, com que se diz vocacionado prestando atenção às "marcas" que se pode perceber nessa pessoa.

 

É possível distinguir um vocacionado do não vocacionado?

 

Cristofani - Esta é uma pergunta bastante difícil de responder, pois acredito que todos os cristãos são vocacionados para algum Ministério. Todavia, nem todos o são para o Ministério da Palavra.

Visto que a vocação se manifesta, creio eu, em um processo contínuo, mesmo considerando os elementos que citei na resposta anterior, permanece certo grau de autoafirmação da pessoa vocacionada. Se alguém me diz que é vocacionado para o Ministério não tenho como contestá-lo nem como autorizá-lo de imediato.

Entretanto, na minha prática Pastoral ao lidar com vocacionados estabeleci determinadas rotinas para avaliar a "vocacionabilidade" de uma pessoa. Primeiro, proponho uma rotina de oração e estudo da Palavra conforme a disponibilidade da pessoa. Segundo, crio oportunidades dessa pessoa descobrir e aprimorar os seus dons e talentos. Terceiro, ministro orientações sobre o exercício do Ministério Pastoral, suas lutas e vitórias. Quarto, colho opiniões entre pessoas experientes da Igreja sobre as "marcas" da vocação que podem ser vistas naquela que se diz vocacionada.

Como esses procedimentos, tenho descoberto, muitas vezes, que certas vocações existem sim, mas não são para o Ministério Pastoral. São para o Presbiterato, para o Diaconato, mas não para o Ministério da Palavra. Tendo esse tempo de "experimentação", creio que é possível distinguir entre os vocacionados para o Ministério Pastoral e os vocacionados para outros Ministérios.

Em sua opinião, o chamado ministerial para o pastorado deveria continuar como vocação ou ser visto como profissão?

 

Cristofani - É comum ouvir que determinada pessoa tem o "dom" para esta ou aquela profissão. Mas a palavra dom neste contexto nada tem a ver com o dom Ministerial.

Insisto que a vocação, para qualquer Ministério na Igreja de Cristo, é um dom de Deus no sentido estrito da palavra. E não há nada em mim ou em qualquer outra pessoa que possa mudar esse fato. Somente Deus é quem vocaciona. Caso queiramos, por algum motivo, transformar a vocação Ministerial em uma profissão, nós estaremos incorrendo em um grave equívoco, pois abriremos a porta do Ministério Pastoral para qualquer pessoa que, mesmo bem qualificada e bem intencionada não recebeu o selo vocacional do Senhor e o testemunho da Comunidade de Fé.

Caso passemos a ver o Ministério Pastoral como profissão, precisaremos mudar os critérios seleção, formação e ordenação das pessoas que optarem por esta "profissão". As consequências serão ainda mais devastadoras, pois teremos que transformar a Igreja do Senhor numa uma empresa e geri-la como tal. Isso me parece bastante distante da realidade, ainda que não faltem exemplos desta prática em nossos dias.

Antes ouvíamos os apelos de pastores, convocando vidas para o ministério pastoral ou para envio às missões, hoje não ouvimos mais com esta mesma ênfase. Em sua opinião, a que se deve este silêncio nos púlpitos?

 

Cristofani - Há 3 anos atrás fiz uma proposta de uma "Campanha Nacional para Despertamento de vocações para o Ministério Pastoral" (tomei a liberdade de anexar a proposta) para minha Igreja. A proposta não foi nem considerada.

Nessa proposta fiz uma consideração, baseada na vocação do Profeta Jeremias, de que a família é o berço da vocação Ministerial. A família é a primeira responsável pelo encaminhamento vocacional dos seus filhos. Ao almejar uma carreira de sucesso para os filhos, as famílias cristãs deveriam levar em conta a vontade de Deus para eles. Deveriam instruí-los biblicamente sobre o Ministério Pastoral como um caminho possível a seguir. Como primeira educadora, a família cristã, sobretudo, tem o dever de educar seus filhos no Caminho que devem seguir e ter a sensibilidade de perceber quando um filho seu é chamado ao Ministério.

A Igreja como extensão da família parece ter a mesma atitude negligente para com os seus filhos. É tarefa do púlpito proclamar o chamado do Senhor aos vocacionados. Eles só se saberão vocacionais se ouvirem o chamado. É preciso, mediado pela Palavra do Senhor, despertar as vocações, pois ao testemunho do Espírito de Jesus nenhum de nós resistirá.

Você acredita que há aqueles que veem nos Seminários uma grande oportunidade ou única oportunidade de ascensão profissional?

 

Cristofani - Uma ex-aluna minha, Psicóloga de profissão e Pastora de vocação, fez um estudo mostrando que os egressos de um de nossos seminários, em sua maioria, vinham para o Seminário por causa da ascensão social, mesmo sustentando um discurso vocacional.

Penso que em outras instituições de ensino teológico e missionário também ocorra o mesmo. As pessoas vêm o curso como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento social. Isso, contudo, parece ser uma percepção de pessoas que vivem em lugares distantes dos grandes centros, sem muitos recursos e oportunidades de "sucesso profissional".

Porém, acredito que o "custo-benefício" do Ministério Pastoral não é nada atraente e logo se torna um fator de desilusão pessoal e consequente evasão escolar, visto que as vicissitudes do Pastorado, as privações de toda espécie no campo Missionário não são tão atrativos assim.

Parece-me que antes os alunos chegavam aos seminários mais preparados biblicamente, com uma visão teológica razoavelmente ampla, com conhecimentos mínimos de história do cristianismo em comparação com os dias atuais. É esta realidade que o Sr. tem visto?

 

Cristofani - Sim. Acredito que a falta de preparo prévio de muitos estudantes que chegam aos nossos seminários tenha vários fatores explicativos. Destaco os três que julgo mais importantes: A Escola Dominical, o Púlpito e a Educação familiar.

A Escola Dominical foi, e ainda é em muitas Igrejas, a principal agência de formação espiritual do Reino de Deus. Mas a EBD está enfrentando uma profunda crise há várias décadas. A falta de estrutura, de currículo, de material, de orientação e de frequência, sobretudo, são fatores empobrecedores da cultura bíblica geral.

O Púlpito também tem sua parcela na formação de pessoas bem preparadas bíblica e teologicamente. Os sermões mal preparados ou pior, despreparados, mensagens superficiais, bravatas, discursos motivacionais estão entre os elementos que contribuem para uma má formação do cristão em geral e do vocacionado em particular.

A educação cristã familiar praticamente não existe mais. O hábito de leitura da Bíblia e de literatura saudável está longe de nossos lares. O diálogo entre pais e filhos sobre os ensinos ministrados na Igreja foi silenciado. Claro que generalizo quando faço essas afirmações. Contudo, o faço para apontar o que considero importante na formação espiritual das novas gerações.

Por que ainda hoje nos seminários, há mais ênfase em trabalhar para Deus do que em estar com Ele?

 

Cristofani - Creio que essa ênfase em se "trabalhar para Deus" em detrimento do "estar com Ele" tem raízes profundas na história do cristianismo em nosso país. Nossa hinódia comprova isso. Muitos dos nossos hinos tradicionais exaltam o valor do trabalho, das boas obras, das realizações em favor da obra de Deus.

Essa compreensão se deve, em parte, ao afã missionário de expandir o Protestantismo no Brasil. Era preciso trabalhar com afinco a fim de ganhar o maior número possível de "almas" para Jesus e livrar a nação das trevas da incredulidade.

Por outro lado, também, creio que a tradição teológica herdada dos missionários pouco tinha a ver com o cristianismo de viés místico exaltado na obra "O Peregrino", por exemplo. Nas últimas décadas a relação dialógica do cristianismo com a cultura mística em geral tem favorecido uma reavaliação do binômio "trabalhar/estar" com Deus, pois não há porque separar essas duas expressões de comunhão com o Senhor.

Vimos o aumento de pastores bivocacionados, a maioria destes por questões financeiras. Em sua opinião, o ministério bivocacionado traz mais vantagens do que desvantagens à igreja?

 

Cristofani - Não acredito em "bivocação". Penso que uma pessoa vocacionada para o Ministério Pastoral deve priorizar seu Ministério. Caso tenha que exercer uma profissão por questões econômicas, que o faça de tal forma que não prejudique seu Ministério.

Lembro-me de um caso recente de alguém que estava sendo examinado pelo Presbitério para ser ordenado Pastor. Perguntaram a ele se ele aceitaria ser Pastor de tempo integral. Ele respondeu: Claro que sim, desde que a Igreja me ofereça o que a minha empresa me oferece. Ter o apóstolo Paulo como um paradigma de “fazedor de tendas”, isto é, um vocacionado que usou sua atividade profissional para desenvolver o seu Ministério é muito útil para aqueles que precisam trabalhar além do Pastorado.

Aqui em São Paulo há muito Pastores que "dividem" o tempo entre o Ministério e o trabalho chamado secular. Mas ponderemos: alguém que exerce uma atividade que toma o dia inteiro, cinco dias por semana, como pode pastorear a Igreja de Jesus? O rebanho precisa de cuidados não apenas nos finais de semana!

Quais os conselhos para pastores no levante dos vocacionados e no encaminhamento para que estes se capacitem para o ministério?

 

Cristofani - O que posso dizer não são conselhos, mas sugestões.

Procure demonstrar sinceramente sua alegria e realização em exercer o Ministério Pastoral. Mostre sua satisfação em viver uma vida modesta e sóbria. Todos nós sabemos: as palavras voam os exemplos arrastam.

Procure identificar na Igreja aquelas pessoas que demonstram um interesse especial pelo Ministério da Palavra, pessoas que gostem de estudar e procuram passar para as outras o que aprendeu. Um estudo sobre os dons espirituais é muito útil para isso. Faça estudos, sermões, meditações etc sobre os Profetas do Primeiro Testamento. Amós e Jeremias são bons exemplos.

Incentive especialmente os jovens a meditarem sobre a possibilidade de serem Pastores e Pastoras, pois eles estão, geralmente, em busca de uma profissão ou vocação. Talvez trazer Pastores e Pastoras que já estejam "aposentados" para contar histórias do Ministério e experiências que viveram. E não se esqueça de rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a semeadura e colheita.

___________________

Entrevista concedida ao Instituto Jetro em 10.07.2012. Confira em: www.institutojetro.com

Receba as Novidades

cristofani-caricatura-tres

Arquivo do Blog

Powered by mod LCA

pagseguro paypal logos site