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Não sei o que tem sido mais pernicioso ao Cristianismo: se o fundamentalismo dos fanáticos, ou se o julgamentalismo dos hipócritas.

O fundamentalismo volta suas baterias para o exterior da Igreja. Dirige-se contra os que estão “fora”. Contra os “não convertidos”. O fundamentalismo se nutre, em geral, de dogmas. Aferra-se à letra das doutrinas. Faz uma leitura literal dos dogmas. Leitura que serve como critério para mediar o relacionamento com os de “fora”, com aqueles que não pertencem à comunidade da fé. A medida do fundamentalismo é o dogma. Dogma inflexível e cego.

Assim, o fundamentalismo presta um desserviço ao Cristianismo. É pernicioso por afastar pessoas que querem se aproximar da fé cristã. Seu fanatismo impede os “não convertidos” de se ligarem ao discipulado de Jesus.

Julgamentalismo - Dr. Cristofani

Tão, ou mais, pernicioso ao Cristianismo é o que chamo de julgamentalismo. Trata-se da prática de julgar as pessoas. Prática, aliás, bastante antiga como podemos ver nos Evangelhos.

O julgamentalismo volta sua artilharia para o interior da Igreja. Dirige-se contra os irmãos (v. 41), contra os “convertidos”. O julgamentalismo se alimenta, em geral, de comportamentos. Apega-se a práticas pessoais. Faz de determinadas práticas o critério para mediar o relacionamento com os de “dentro”, com aqueles que pertencem à comunidade da fé. A medida do julgamentalismo é o comportamento. Comportamento intimista e cego.

Assim, o julgamentalismo presta um enorme desserviço ao Cristianismo. É pernicioso por afastar pessoas do convívio da fé cristã. Sua hipocrisia impele muitos fiéis para longe do seguimento de Jesus.

Portanto, o julgamentalismo é um flagelo cristão contemporâneo, tanto quanto o foi nos tempos de Jesus.

Parece, mas não é!

Houve um tempo em que o “ser” estava acima do “ter”. Era muito mais importante para as pessoas “ser” alguém do que “ter” algo. Com o passar do tempo o “ter” superou o “ser”. Para a maioria das pessoas tornou-se muito mais importante “ter” algo do que “ser” alguém. Todavia, esse tempo também passou.

Agora, na pós-modernidade, vivemos uma época de crise e exclusão. Crise econômica e exclusão social. Essa situação gera a falta de acesso ao “ser” e, principalmente, ao “ter”. E essa falta de acesso desemboca numa busca pelo “parecer”. Você não é, mas parece ser. Você não tem, mas parece ter. Veja os inúmeros exemplos de falsificação que temos à nossa volta. Falsifica-se tênis, roupa, CD, DVD, perfis na internet. Falsifica-se tudo e, tristemente, quase todos.

Na pós-modernidade vive-se na e da aparência, no simulacro. Nem ter nem ser, mas parecer. Você é o que parece ser. Temos os olhos iludidos pela aparência. A medida de todas as coisas é a aparência.

Num mundo de aparência, a palavra “hipócrita” ganha, novamente nos dias atuais, seu sentido primeiro: alguém que interpreta um papel; que vive uma simulação; que aparenta ser ou ter algo; que vive um simulacro.

Hipócrita! Disse Jesus (v. 42b). E bem que Ele poderia repetir esse codinome entre nós também. A palavra de Jesus torna-se tanto mais atual quanto mais consciência tomamos da simulação na qual está mergulhada nossa sociedade.

Você já pode imaginar o que significa o julgamentalismo em uma situação dessas.

O critério: o cisco e a trave

Não julgueis ... pois com a medida que medis, medirão a vós de volta. (vv. 37-38).

A proibição de julgar tem por base o critério utilizado para fazer o julgamento. A “medida” usada é inadequada. Inadequada porquanto se funda na própria pessoa que julga. Seu parâmetro para julgar outras pessoas é seu próprio comportamento.
Porque olhas para o cisco no olho de teu irmão, mas não observas a trave no teu próprio olho? (v. 41).

Como pode alguém ver algo no seu próprio olho? Não pode ver, talvez, só sentir. Isso significa que somente outra pessoa pode ver o que alguém tem no olho. E se você pode ver o cisco que está no outro, então você usará o cisco como critério, como medida.

Da mesma forma, como você não pode ver o que está no seu olho, uma trave, por exemplo, outra pessoa irá vê-la. E usará a trave como medida para julgar você. Isto porque, a medida que você estabeleceu ao julgá-la é o que ela tem dentro do olho, isto é, o cisco. Você usa o cisco que está no olho dela como medida para julgá-la e ela usa a trave que está no seu olho como medida para julgá-lo.

Assim, o problema com o julgamento não está na incapacidade de alguém julgar, está, sim, no critério que utiliza para julgar. A diferença entre um cisco e uma trave é desmedida. Há uma desproporção na medida. Há uma exagerada e intencional diferença entre o cisco e a trave, justamente para destacar a inadequação do critério escolhido para fundamentar o julgamento. Isso é tirar a trave do próprio olho.

Em uma sociedade que vive de e na aparência você deve vislumbrar as conseqüências nefastas do julgamentalismo.

A Boa Instrução

Na impossibilidade de “um cego guiar outro cego” (v. 39) é necessário ser discípulo. Ser discípulo é ser bem instruído e tornar-se semelhante ao seu mestre (v. 40). Não acima do Mestre, mas idêntico. Não uma simulação ou cópia, mas um seguidor. Ser discípulo de Jesus é segui-lo e praticar o que o Mestre praticou.

Para se tornar semelhante ao mestre Jesus é preciso aprender dele. E essa boa instrução nós a encontramos no início do texto bíblico (vv. 37-38). A instrução apresenta um julgamento. Na verdade, Lucas mostra a seqüência de um julgamento típico de sua época: a acusação, a condenação e a sentença. O inusitado desta seqüência, porém, é que nos é dito para não julgar, não condenar e perdoar (deixar livre). Para cada ordem corresponde um resultado: ao “não julgar” corresponde: “não sereis julgados de modo algum”; ao “não condenar” corresponde: “Não sereis condenados de forma alguma”; e ao “persiti em perdoar (deixar livre)” corresponde: “sereis perdoados (deixados livres)” (v. 37).

A instrução é clara: o ato de se julgar alguém desencadeia uma seqüência inevitável de outros atos que culminam com a falta de perdão da pessoa julgada. Isto é, quando julgamos alguém inevitavelmente damos curso ao julgamento. E condenamos a pessoa e a sentenciamos. Um julgamento completo.

Entretanto, o Evangelista prossegue e ordena: “Praticai o dar e darão a vós” (v. 38). Dar o que? Penso que pela seqüência do texto bíblico esse “dar” só pode estar se referindo ao perdão (deixar livre). Eu diria “perdoai sem cessar”. Ao invés de julgar e condenar e sentenciar, o discípulo de Jesus deve ver o cisco no olho do irmão e perdoar. Deve observar o cisco na outra pessoa e ter a mesma disposição do Mestre dos mestres: perdoar.

Segundo a Palavra, o que foi, volta (v. 38b). Ao dar, receberemos de volta uma “medida excelente, recalcada, sacudida e transbordante.” O que significa isso? Significa que persistindo em dar (o perdão), a nós será dado, em muito maior medida, o perdão também. Pois, com a medida com que tivermos medido nos medirão de volta.

Assim, fica anulado o julgamentalismo. Não julgueis e não sereis julgados de modo algum. O julgamentalismo deve, pois, ceder lugar ao perdão. Não devemos nos aferrar em nossa razão, mas no perdão do Senhor. E na exigência deste perdão: perdoai uns aos outros.

Conclusão

Não é por acaso que Lucas, diferentemente de Mateus, tenha colocado esse trecho, no qual estamos meditando, logo após as palavras de Jesus sobre o amor aos inimigos. “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.” (v. 36). Se com os inimigos devemos usar de misericórdia, tanto mais devemos proceder da mesma forma com os irmãos.

Nem fundamentalismo, nem julgamentalismo. Nem dogmas, nem comportamento. Tanto com os de “fora” como com os de “dentro” devemos ter um olhar compassivo. Um olhar misericordioso. Um olhar perdoador. Nem cisco, nem trave. Nenhuma disputa. Nenhum julgamento. Nenhum critério religioso. Nenhuma medida pessoal. Apenas um olhar compassivo, o olhar de Jesus.

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Lucas 6.37-42

v. 37 Não julgueis, e de modo algum sereis julgados,
Não condeneis, e de forma alguma sereis condenados.
Persisti em perdoar (deixar livre), e sereis perdoados (deixados livres).
v. 38 Praticai o dar, e darão a vós.
Derramarão em vosso regaço uma medida excelente, recalcada, sacudida e transbordante.
Pois, com a medida que medis, medirão vós de volta.
v. 39 Contou-lhes, então, uma parábola:
Pode um cego guiar outro cego?
Não cairão ambos no barranco?
v. 40 O discípulo não está acima do seu mestre;
todo aquele que for bem instruído será semelhante ao seu mestre.
v. 41 Então, porque olhas para o cisco no olho do teu irmão,
porém não observas a trave no teu próprio olho?
v. 42 Como podes dizer ao teu irmão:
Irmão, permite-me tirar o cisco no teu olho,
Enquanto tu mesmo não está vendo a trave que está no teu olho?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho,
E então verás claramente com o tirar o cisco que está no olho de teu irmão.

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