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apamea

Este ensaio pretende ser uma exposição sucinta do sítio arqueológico denominado Apamea. Para isso o trabalho está organizado da seguinte forma: 1. Localização geográfica; 2. História das escavações; 3. História do sítio; 4. Inventário arqueológico de Apamea e 5. Importância do sítio.

1. Localização geográfica

Apamea, atual Qal`at el-Moudiq, localiza-se na Bacia do rio Orontes. Esta bacia está entre duas regiões de características opostas. A oeste, o limite e a costa do mar Mediterrâneo e as montanhas. As torrentes, juntamente com uma precipitação pluviométrica bastante acentuada, garantem o alto grau de fertilidade do solo. Pelo lado leste, o limite e uma planura desértica e árida, onde raramente se encontram pântanos. Nessa bacia encontra-se o sítio de Apamea.

Apamea é um planalto que pode ser delimitado ao Norte por Gebel Zawiye, um contraforte maciço de calcário e ao Sul por uma garganta que fende o platô na altura de Saizar. A Oeste a fronteira é o fosso de Ghab e a Leste, a estepe que se prolonga por muitos quilômetros.

A localização geográfica de Apamea e suas características topográficas contribuíram decisivamente para a sua importância estratégica tanto econômica quanto militar. Se por um lado, as condições naturais (irrigação abundante; grande planalto; reserva de matérias primas, como madeira e calcário) permitiram a instalação humana e a exploração pecuária e agrícola da região, por outro lado, as mesmas condições também permitiram o estabelecimento de uma cidade. Sua localização favoreceu ainda a criação de rotas comerciais que ligavam o norte da Síria, tanto ao sul quanto ao leste-oeste. Outro aspecto da importância de Apamea foi a militar. Não apenas por sua localização, mas também por suas características topográficas, Apamea transformou-se num ponto estratégico fundamental, pois alem de favorecer a defesa, era ponto de ligação entre o leste e o oeste e entre o norte e o sul, tornando-se assim, posto de abastecimento militar.

2. História das escavações

Foi somente na década de 30 que se deu o inicio das escavações em Qal`at el-Moudiq.

Uma missão de arqueólogos belgas foi responsável por sete campanhas entre os anos 1930 a 1938. Sob a direção geral de Ferdinand Mayence, as sucessivas escavações revelaram abundante material para o estudo do sítio. Entre as descobertas mais importantes estavam: um edifício circular ao norte; a Ágora romana; a Grande Colunata com seus pórticos, arcos e consoles com inscrições; necrópoles, basílica extra muros e sepulturas, uma igreja cristã com vestígios de uma sinagoga; uma grande igreja no plano central (catedral do leste); o teatro romano; e um edifício com termas na insula do cruzamento principal.

O abundante material de anotações, fotográficas e pecas foram objetos de estudo durante os anos seguintes. Porém, com o advento da II Guerra, parte do material foi destruído pelo bombardeio de Louvain (1944) e outra parte foi queimada num incêndio ocorrido no Museu de Arte e História de Bruxelas (1946). O que resultou em algumas lacunas.

Esta primeira missão contribuiu decisivamente para estabelecer a importância de Apamea no cenário arqueológico, trazendo a luz material importante para o conhecimento do sítio e de toda a região norte da Síria

Dentre as muitas contribuições destas primeiras escavações, talvez a mais importante tenha sido o levantamento da planta do local, pois segundo o próprio H. Lacoste (Apamee de Syrie) "o objetivo imediato de nossa pesquisa continua sendo, levantar um plano completo da vila." p. 29

Muitas tarefas ficaram inacabadas. Assim, uma segunda missão foi organizada.

A secunda missão com o objetivo de escavar Apamea foi realizada entre os anos de 1965 a 1968 em quatro campanhas, uma preparatória e outra três. Na campanha preliminar (8 a 26 de Setembro de 1965) serviu para se estabelecer com maior exatidão os objetivos das escavações que viriam a seguir. Na primeira delas (1966) o foco foi a Grande Colunata, igreja do atrium, triclinos e também um estudo da pré-história do sítio. A segunda campanha (1967) focalizou-se no teatro. Finalmente, a terceira campanha (1968) completou os trabalhos iniciados no teatro, bem como em outras construções.

3. História do sítio

A história do sítio de Apamea pode ser dividida em cinco grandes períodos: A. Pré-história, B. Bronze recente; C. Período persa; D. Período greco-romano e E. Período bizantino, árabe e otomano.

A. Pré-história

As sondagens estratigráficas de Apamea, revelaram utensílios (sílex) do Paleolítico Médio (ca. 50.000-32.000 a.C.), que devido ao numero pode-se falar em uma "industria lítica" no tell. Apesar de abundantes, os documentos não permitem, segundo Michel C. Dewez, responsável pela tarefa de estudar a pré-história do sítio, distinguir o grupo cultural do qual esses documentos provêem. (cf. Syria XLV, 1968, 203)

Do período Calcolítico foram encontradas pecas de olaria (3.500 a.C.). Ricas tumbas testemunham o período do Bronze Antigo e os estratos sucessivos da transição para o Bronze Médio, revelam a densidade deste habitat antes das primeiras menções históricas do Bronze Recente.

B. Bronze recente

Historicamente, a vila foi identificada como sendo Niya (ou Nii) mencionada em documentos hititas e tabletes cuniformes de Amarna e também nas listas de vilas siríacas conquistadas pêlos exércitos egípcios da XVIII dinastia.

C. Período persa

Na época persa a vila era conhecida pelo nome de Pharnake (do qual alguns autores discordam). De qual quer forma o local fazia parte das possessões da dinastia Achemenida.

D. Período greco-romano

Com o advento do helenismo, a vila recebeu o nome de Pella (333 a.C.). Nela estabeleceu-se uma guarnição macedônica. Em 301 a.C., com a conquista da Síria por Selêuco, a região foi intensamente colonizada devido a sua importância econômica e militar, sendo Apamea uma das quatro vilas fundadas neste período. O nome da vila foi dado em homenagem a mulher de Selêuco Nicator. Desde então Apamea tornou-se um forte helenístico com uma acrópole. A vocação militar de Apamea teve um papel fundamental em toda sua história.

Após a conquista romana, efetivada por Pompeu (63 a.C.) que destruiu parte da cidadela, a vila recebeu privilégios monetários, atestados pela emissão de moedas. Assim, tanto sob os Flavianos, quanto sob os Antoninos e Severianos, Apamea foi conservada como posição estratégica, como atestam as moedas e inscrições, sobretudo pela infra-estrutura viária.

Os acontecimentos documentados deste período são os seguintes: menção do recenseamento de Quirinius; novo nome da vila - Claudia Apamea; menção de Vespasiano e Domitilia; tremor de terra em dezembro de 115 A.D. que destruiu parte de vila; construção do teatro; menção da passagem de Setimo Severo e Julia Domna por Apamea.

Alvo de muitas incursões, Apamea foi invadida por Shahpuhr (256 AD) invasão atestada por inscrições na porta norte da cidade e numa estela.

Após essa invasão ate o inicio do sec.IV (grandes perseguições aos cristãos) nada é atestado sobre Apamea nas inscrições.

E. Período bizantino, árabe e otomano

Os persa invadiram e saquearam Apamea em 611 A.D. (Chosroes II). Logo (636 A.D.) a vila passou ao domínio Árabe.

Dai em diante varias dinastias dominaram sobre Apamea ate a conquista dos otomanos. Digno de nota são os tremores de terra ocorridos nos anos 1157 e 1170 A.D. que afetaram o sítio. A partir da conquista dos otomanos a vila vai perdendo sua importância. Finalmente, no sec. XVII recebe o nome de Qal`at el-Moudiq (cidadela do desfiladeiro).

4. Inventário arqueológico de Apamea

A planta do sítio de Apamea, revela duas grandes avenidas: o cardo (norte-sul, VI) e decamanus (leste-oeste, VI.15). As demais ruas são distribuídas em intervalos proporcionais (insula 105/110 m X 55m - 2/1), obedecendo uma simetria característica do urbanismo da época. Ha três pórticos principais: um ao sul (VI.21), outro ao norte (VI.1) e o terceiro a leste (XI.16). Do lado oeste destacam-se a cidadela, o teatro e a agora. Do lado leste pode-se ver a "catedral do leste". Em toda extensão do cardo observa-se diversas construções e particularmente um atrium (VI.12-13).

Entre os principais monumentos do sítio pode-se destacar os seguintes:

A. Grande Colunata: na via principal da vila que a corta de um lado ao outro, sendo orientada no sentido norte-sul, com cerca de 40 m de largura e pouco mais de 2 km de extensão. A seção norte pode ser datada de 115/116 A.D., enquanto que a seção media de 166 A.D. Ha vários pórticos na colunata. Também ha inscrições em alguns consoles da mesma.

B. Teatro: Com 139 m de diâmetro este teatro é, senão o maior, pêlos menos um dos maiores da antigüidade. Ele pode ser datado, a partir de seus blocos decorados, do sec.II ou início do sec.III. E possível ver o parodos; o balcão inferior (maenianum); a Orchesta (Sitzplatz der Senatoren).

C. Igrejas:

a) Igreja do atrium da Grande Colunata: foi construída sobre a laje de uma sinagoga, atesta por um mosaico com inscrição datado de 394 A.D., utilizando-se os muros da mesma para sua fundação. Esta igreja pode ser datada do primeiro quarto do sec.V. Uma outra igreja foi construída no local no sec.VI.

b) O chamado "sítio 13"  é uma igreja com sepulturas e lagar. Datada do fim do sec.IV ou inicio do sec.V, foi construída sobre ruínas romanas. Seu lagar atesta a cultura racional de olivais no norte da Síria e as sepulturas atestam a vida comunitária (monástica?) da assembléia cristã. Em 518 A.D. um tremor de terra destrui a construção, sendo restaurada em 681 A.D. Finalmente, moedas do sec.XVI mostram que a vila foi utilizada por nômades como estacionamento esporádico.

c) Huarte: uma igreja com o solo recoberto por um mosaico (figura de animais) com uma inscrição grega com data de 20 de Abril de 484 A.D. Vários outros mosaicos compõem a decoração da igreja. A importância do sítio é para o período paleo-bizantino.

d) Martyrion: catedral do leste

D. Agora: construção romana, com as colunas do pórtico ocidental derrubadas.

E. Edifício adjacente ao tetrapyle: como monumento e termas

F. Triclinos: com mosaicos datados de 539 A.D.

G. Phourion: cidadela helenistica com mesquita otomana.

5. Importância do sítio

A simples apreciação do sítio revela a importância de Apamea para a história geral da Síria, sobretudo da região norte. Porem, especificamente, pode-se destacar sua importância para:

A. o estudo da pré-história da região, pois segundo J. et J. Ch. Balty (Apamee de Syrie, archeologie et historie, p.108) é um dos sítios mais importantes da região sob esse aspecto

B. o estudo da história do urbanismo, pois nas palavras de J. e J. Ch. Balty (Colloque de Apamée)  Apamea é "... um dos exemplos mais claros de todos desse processo fundamental, da passagem do urbanismo clássico à vila medieval" p. 42;

C. a compreensão do desenvolvimento do cristianismo na região e sua relação com outras religiões;

D. a compreensão da geo-política e das relações sócio-econômicas das diversas etapas de ocupação do sítio

Bibliografia

BALTY, Janine (Ed.). Apamee de Syrie - Bilan de recherches  archeologiques 1965-1968. Bruxelles, Centre Belge de Recherches    Archeologiques a Apamee de Syrie, 1969.

------, et BALTY, Jean Ch. Apamee de Syrie, archeologie et  histoire. In: Aufstieg und Niedergang der Römischen Welt.   Berlin, Walter de Gruyter, 1977. vol. II,8, pp. 101-134.

------, Le cadre topographique et historique. In: BALTY, Janine.  Apamee de Syrie - Bilan de recherches  archeologiques 1965-1968.  Bruxelles, Centre Belge de Recherches   Archeologiques a Apamee   de Syrie, 1969. Pp. 29-51 + Plattes

BALTY, Jean Ch. Apamee, 1965-1968. In: BALTY, Janine. Apamee de  Syrie - Bilan de recherches  archeologiques 1965-1968. Bruxel les, Centre Belge de Recherches   Archeologiques a Apamee de  Syrie, 1969. Pp. 15-22 + Plattes

DEWEZ, Michel C. Decouvertes prehistoriques. In: BALTY, Janine.  Apamee de Syrie - Bilan de recherches  archeologiques 1965-1968.  Bruxelles, Centre Belge de Recherches   Archeologiques a Apamee  de Syrie, 1969. Pp. 53-60.

------, Descouvertes prehistoriques a Apamee. In: Syria XLV  (1968) 202-203.

------, Le cadre geographique. In: BALTY, Janine. Apamee de Syrie  - Bilan de recherches  archeologiques 1965-1968. Bruxelles,  Centre Belge de Recherches   Archeologiques a Apamee de Syrie,  1969. Pp. 23-27 + Plattes.

FORTUNA, Maria-Teresa et CANIVET, Pierre. Sites chretiens  d'Apamene. In: Syria XLVIII (1971) 295-321.

TALBERT, Richard J.A. (ed.). Atlas of classical history. New  York, Macmillan Pub. Co., 1985. P. 162

VERHOOGEN, V. Introdução ao Colloque. In: BALTY, Janine. Apamee  de Syrie - Bilan de recherches  archeologiques 1965-1968. Bruxelles, Centre Belge de Recherches   Archeologiques a Apamee de  Syrie, 1969. Pp. 9-13.

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